No discurso final que proferiu diante da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 22 de setembro de 2026, o secretário-geral António Guterres cobrou regulação internacional sobre a inteligência artificial, pé de resistência contra guerras e uma redação mais envergonhada das instituições globo, segundo reportagem do The Business Standard.
Mais do que algoritmos: o apelo de Guterres à humanidade
Nada disso é só sobre servidores e neurônios artificiais. Guterres falou de um mundo onde IA e conflitos se alimentam como se fossem irmãos desafinados. Ele disse que os países à frente da corrida tecnológica precisam compartilhar riscos, testar juntos e montar regras comuns — como se faz num hospital, não numa disputa de mercado. O apelo é claro: supervisão independente e credibilidade, não mais reuniões simbólicas.
O Deccan Herald destacou que a plateia aplaudiu não por obrigação, mas porque aliava paz com tecnologia — algo até então tratado como oposto. Guterres também lembrou que os EUA cortaram verba à ONU enquanto grandes potências passavam direto pelo órgão. A crítica é implícita: se ninguém escuta, quem paga? O orçamento virou arma.
Quem veio, quem sumiu e quem falou demais
cerca de 130 líderes compareceram a Nova York, todos com os pertences. Xi Jinping, presidente da China, foi fotos de arquivo. Líderes da Índira, África do Sul e Alemanha mandaram recados por WhatsApp. Guterres respondeu com mais applausos e uma frase que ecoou: “solução de dois Estados”.
[fonte: The Business Standard] Os delegados aplaudiram quando ele falou de Israel e Palestina, exigiu que “poluidores paguem” e pressionou por reformas. Mais do que discurso, foi uma exigência disfarçada de discurso.

Antes da crise: o legado de Guterres sobre IA
Em 2023, a ONU criou um grupo de 39 membros para discutir governança da IA. Techies, governos e universidades unidos num conselho que parece juntos pela primeira vez. Naquele mesmo ano, o Conselho de Segurança se reuniu para ouvir o que a IA podia trazer de bom ou ruim. A China advertiu: não deixem o “cavalo solto”. Washington concordou — com discurso.
O pé de meia no pé do dragão
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que Washington queria criar um mecanismo para notificar incidentes de IA com impacto na segurança nacional. A ideia? Trump e Xi discutiriam isso num encontro. Mais um rascunho no livro de receitas globais, ou sinal de que a diplomacia técnica finalmente encontrou espaço?
Epílogo escrito em linguagem simples
Guterres não saiu cantando o hino da esperança. Saiu citando orçamentos cortados, ausências políticas e um conselho de segurança que parece um grupo de estudo sem graça. Mas também falou de compartilhamento, supervisão e multilateralismo. Talvez tenha sido isso que funcionou: ele falou como quem sabe que a IA pode piorar o mundo se ninguém prestar atenção.
Se ele estiver certo, o futuro não será sobre quem tem mais GPUs, mas sobre quem consegue convencer os outros de que a regra também se aplica a eles.


