Gurus de diversas tradições estão lançando chatbots de inteligência artificial para oferecer orientação espiritual, e um serviço relata receber centenas de mensagens de usuários à medida que mais pessoas recorrem à IA em busca de respostas.
Acesso ilimitado e livre de julgamento
Segundo o The Economic Times, os chatbots de IA disponibilizam ensinamentos a qualquer hora, sem necessidade de agendar encontros ou pagar por consultas com gurus humanos. A ausência de julgamento é apontada como motivo para que usuários recorram à inteligência artificial após perdas pessoais, buscando paz de espírito. Os modelos são treinados com textos sagrados, como o Bhagavad Gita, de modo que as respostas se baseiam em escrituras reconhecidas.
Iniciativas de gurus reconhecidos
Jaggi Vasudev, fundador da Isha Foundation e conhecido como Sadhguru, lançou o aplicativo “Miracle of the Mind”, que contém um recurso de IA interativo que responde perguntas com base em suas lições. Deepak Chopra, guru norte‑americano, disponibiliza a plataforma “Digital Deepak”, que extrai respostas de décadas de palestras e livros. Segundo a Associated Press, diversos líderes espirituais estão disponibilizando chatbots para atender à crescente demanda por orientação espiritual por meio da IA.

Críticas e limitações apontadas
Críticos citados pelo The Economic Times afirmam que a inteligência artificial não consegue reproduzir a experiência vivida, a sabedoria nem a responsabilidade ética de um guru humano. Pesquisadores observam que os sistemas tendem a validar o ponto de vista do usuário em vez de provocar as perguntas desafiadoras necessárias para um crescimento espiritual genuíno. Vikas Sahu, responsável pelo GitaGPT – chatbot que apresenta um avatar de Lord Krishna – diz que sua intenção não é substituir o contato com um mestre, mas oferecer um ponto de partida acessível para quem busca orientação imediata.
Relatos de usuários em situações de luto
O The Economic Times relata o caso de Kripa Vaidyanathan, instrutora de yoga de Chennai, cuja sobrinha de 27 anos morreu em um acidente de carro no Alasca em 2024. A família procurou um guru de renome, mas o conselho recebido – ligar o evento ao karma – lhe pareceu cruel e pouco útil diante do luto recente. Ela então recorreu ao ChatGPT, destacando que a ausência de julgamento facilitou a busca por respostas e paz de espírito. Vaidyanathan afirma ter encontrado um “guru compassivo” na IA, embora reconheça que até um mentor humano tem disponibilidade limitada, enquanto o chatbot está acessível a qualquer momento.


