O Google anunciou um investimento de €13 bilhões na Finlândia para construir novos data centers, o maior aporte já feito pela empresa na Europa, segundo o The Express Tribune.
Muhos se transforma com a chegada do gigante da tecnologia
Joni Pitkanen, agricultor de 36 anos que vive em Muhos — uma cidadezinha de cerca de 8.800 habitantes no norte da Finlândia — já tem o dia a dia abalado. Floresta próxima à fazenda dele foi derrubada, caminhões e escavadeiras circulham perto das linhas de transmissão, e ele mesmo confessa: "o projeto é tão imenso que, mesmo estando aqui de perto, é difícil de realmente compreender", relata o The Express Tribune.
O prefeito local, Kimmo Hinno, disse à AFP que a construção envolverá milhares de trabalhadores de várias nacionalidades, exigindo moradia e infraestrutura que a região ainda não possui. "Isso vai mudar completamente a situação do município e da região de Oulu", afirmou, citado pelo The Express Tribune.
Aila Heilima, enfermeira de 60 anos moradora de Muhos, espera que o investimento traga oportunidades para jovens que hoje fogem para cidades maiores em busca de emprego, conforme aponta o Malay Mail.

Controvérsia ambiental cresce em torno das obras
A Agência Finlandesa de Supervisão (LVV) investiga se a empresa Tuike Finland — representante do Google — derrubou mais de 300 hectares de floresta em Muhos sem a avaliação de impacto ambiental exigida por lei, informa o The Express Tribune.
Líderes da conservação, como Hanna Halmeenpáa, da Associação Finlandesa para Conservação da Natureza, usaram imagens de satélite para identificar áreas consideradas de preservação que foram cortadas. Segundo elas, o volume de desmatamento equivale a cerca de 420 campos de futebol. "Acreditamos que as operações nesse local devem ser suspensas até que fique claro se o projeto está em conformidade com a lei", declarou Halmeenpáa, citada pelo The Express Tribune.
O Google, por meio de Sondre Ronander, gerente de comunicações na Finlândia, afirmou à AFP que os trabalhos florestais seguem dentro da legislação vigente e que estudos ambientais foram feitos para proteger zonas de alto valor ecológico. O comunicado foi reproduzido pelo The Express Tribune.
Ambos os veículos destacam a preocupação com o consumo energético dos novos data centers e discutem a necessidade de novas regras de fiscalização no país.


