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FMI alerta: dívida da IA ameaça mercados emergentes

O FMI alerta que o endividamento das empresas de IA pode causar correção de ações e pôr em risco a estabilidade financeira global nos países emergentes.

13 de out., 15:05 48 fontes · 21 países Mercado
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Gráfico de bolsa mostrando queda de ações Foto: Alesia Kozik / Pexels

O FMI alerta que o endividamento elevado para financiar a inteligência artificial pode desencadear uma correção generalizada de ações e pôr em risco a estabilidade financeira global, com potencial para excluir países emergentes dos fluxos de capitais internacionais, segundo informaram a Bloomberg Businessweek e o The Sunday Times. O The Guardian US acrescenta que, em seu relatório Global Financial Stability, o fundo destacou as avaliações astronômicas das empresas de IA, o rápido crescimento do endividamento setorial e a concentração de poucos grandes de tecnologia como fatores que elevam os riscos sistêmicos. O The Sunday Times, em sua manchete, resumiu a advertência do FMI ao afirmar que o gasto com IA financiado por dívida coloca a economia global em risco.

Risco de correção de ações e alavancagem

Segundo o The Guardian US, o FMI ressaltou que as grandes companhias de IA estão tomando empréstimos em níveis elevados para financiar a construção de centros de dados, a compra de semicondutores e outros investimentos de infraestrutura. Essa crescente alavancagem vem de três fontes principais: dívida contraída pelas próprias empresas de IA, investimentos de fundos de hedge que se posicionam no setor e operações de varejo em que investidores individuais compram ações de IA utilizando crédito. O fundo advertiu que, se a rentabilidade desses investimentos não atender às expectativas, uma revisão das expectativas poderia provocar uma correção de preços das ações de IA, que seria exacerbada pelo endividamento elevado, pelas exposições concentradas e pelos laços de financiamento circular. Tal cenário levaria a uma redução dos investimentos em geral, a quedas de índices acionários e ao aperto das condições financeiras globais, com efeitos que se espalhariam para além dos Estados Unidos.

Concentração dos grandes de tecnologia

O mesmo relatório citado pelo The Guardian US mostra que as sete maiores ações de tecnologia — Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla —respondem por mais de 35 % do índice S&P 500 nos Estados Unidos, um aumento significativo em relação aos cerca de 12 % registrados há uma década. Além disso, a capitalização de mercado desse grupo subiu mais de 50 % nos últimos dois anos, segundo o FMI. Essa concentração significa que qualquer adversidade nesse conjunto de empresas pode ter impacto desproporcional sobre o mercado amplo. O fundo também observou que as empresas responsáveis pela construção da infraestrutura básica da IA — os chamados hyperscalers, como Amazon Web Services, Google Cloud, Meta e Oracle — estão liderando a expansão de grandes centros de dados, o que adiciona outra camada de exposição ao risco de dívida setorial.

Impacto nos países emergentes e nos mercados de semicondutores

A Bloomberg Businessweek adverte que o “binge” de dívida na área de IA pode tirar espaço dos países emergentes nos mercados globais de capitais, pois os recursos seriam desviados para financiar a expansão das grandes firmas de tecnologia. O The Guardian US ainda relata que as ações de fabricantes de semicondutores caíram após o presidente da Broadcom comparar investidores em IA a jogadores de cassino, indicando preocupação com especulação excessiva. Além disso, o avanço relatado da empresa chinesa CXMT em uma nova arquitetura de chip tem afetado negativamente as ações de empresas sul‑coreanas do setor, mostrando como notícias de um único fornecedor podem reverberar em cadeias de suprimentos asiáticas. O FMI também mencionou que o sucesso da implantação da IA pode não exigir o nível de investimento atualmente sendo empregado pelos hyperscalers, o que, se confirmado, poderia reduzir a pressão sobre o endividamento setorial.

Apurado em 48 fontes

Bloomberg Businessweek (Estados Unidos) · The Guardian US (Estados Unidos) · The Sunday Times (Reino Unido)

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