Firmus Technologies, operadora de data centers de IA que começou como mineradora de Bitcoin, vê seu plano de oferta pública inicial de US$ 7 bilhões na ASX ameaçado após institucionalistas demonstrarem pouca disposição para comprar ações ao preço de US$ 11, podendo ser reduzido para cerca de US$ 8,25.
Investidores desistem, e Maas Group paga o preju
The West Australian e Perth Now informam que investidores institucionais têm demonstrado pouco interesse em adquirir ações da Firmus ao preço de US$ 11 por unidade, levando os corretores a tentar salvar o lançamento reduzindo o valor para aproximadamente US$ 8,25. A mesma cobertura aponta que as ações da Maas Group, que detém 3,2% da companhia e atua como fornecedora, caíram mais de 20% para US$ 4,96 em razão da especulação sobre a continuidade da oferta. A Reuters destaca, em sua manchete, que o investidor Maas caiu após a notícia de que o operador de data centers de IA poderia retirar seu plano de oferta pública de grande porte.
Valuation altíssimo para uma empresa ainda no começo
Segundo as publicações australianas, a avaliação implícita da oferta coloca a Firmus em torno de US$ 44 bilhões, um nível que a posicionaria à frente de grandes nomes como Coles e QBE na bolsa australiana e faria dela a segunda maior oferta pública da história do país. Caso o preço por ação seja mantido em US$ 11, a captação de US$ 7 bilhões seria alcançada; porém, se o valor for ajustado para perto de US$ 8,25, o montante a ser levantado seria substancialmente menor, impactando diretamente o plano de financiamento da empresa.
Dois data centers prontos e dívida de US$ 30 bi no radar
Mesmas fontes afirmam que a Firmus possui atualmente apenas dois centros de dados operacionais, um em Melbourne e outro em Singapura, enquanto planeja construir mais unidades, incluindo duas na Tasmanha que enfrentam oposição da comunidade local. Para viabilizar a expansão, a empresa pretende levantar cerca de US$ 30 bilhões em dívida destinada à construção desses data centers e, após concluí-los, alugar as instalações como 'fábricas de IA' para grandes companhias de tecnologia como a Meta, que utilizariam a capacidade de processamento para treinar modelos de inteligência artificial.

De Bitcoin minerador a IPO ambiciosa: o passado de Curtis
O histórico da empresa é descrito pelas mesmas publicações: fundada em 2019 por Oliver Curtis, Tim Rosenfield e Jonathan Levee, a Firmus teve origem como mineradora de Bitcoin antes de migrar para o segmento de data centers de IA. Oliver Curtis foi condenado há aproximadamente uma década por um caso de insider trading de alto perfil, cumprindo 12 meses dos dois anos de sentença e detendo atualmente 13,3% da companhia. Outros acionistas citados incluem a Nvidia, a Blackstone, a Regal Partners e a Wilson Asset Management. A Maas Group, além de ser fornecedora, detém 3,2% do capital da Firmus.
Shamgar: 'IPO reprincipalizado é IPO morto'
Ron Shamgar, responsável pelas ações australianas da TAMIM Asset Management, afirmou em rede social que a oferta provavelmente está morta e que uma nova precificação seria um 'falso IPO'. Rob Talevski, CEO da WeBull Austrália, advertiu que o cancelamento do lançamento seria um desastre, embora o mercado tenha memória curta. A Maas Group atribuiu a queda de suas ações à especulação sobre o futuro da oferta. Caso o IPO seja retirado ou significativamente rebaixado, o valor a ser captado seria bem inferior aos US$ 7 bilhões inicialmente planejado, reduzindo os recursos disponíveis para o programa de dívida de US$ 30 bilhões destinado à construção dos novos data centers.


