A polícia da Finlândia iniciou uma investigação criminal para apurar supostas violações à legislação ambiental durante a construção de um centro de dados da Google em Muhos, cidade no norte do país. A investigação foi anunciada após a descoberta de irregularidades na limpeza e gestão de águas no local, segundo comunicado da polícia.
Supostas infrações e suspensão de obras
Segundo as autoridades, a Tuike Finland, empresa controlada pela Google, teria realizado a limpeza de uma área florestal — incluindo o corte de árvores e a secagem do solo — antes de concluir os estudos ambientais exigidos por lei. A agência reguladora finlandesa já havia determinado em 6 de outubro que a Google interrompesse as atividades preliminares em Muhos e em outra localidade, Otanmäki, devido à falta de estudos ambientais completos. A polícia indicou que a investigação abrangerá não apenas a gestão de águas e a limpeza do terreno, mas também outros aspectos relacionados a possíveis infrações. Alguns relatos estimam que mais de 250.000 árvores foram cortadas em Muhos e 150.000 em Otanmäki. Antti Järvinen, diretor da Google na Finlândia, pediu desculpas pelos cortes florestais, afirmando que a empresa agiu com base em sua compreensão da legislação existente na época.
Implicações e contexto do projeto
O projeto faz parte de um plano anunciado pela Google no valor de 15 bilhões de dólares em infraestrutura para inteligência artificial na Finlândia, descrito pela empresa como sua maior investimento na Europa. O anúncio foi recebido com aprovação inicial por parte do primeiro-ministro Petteri Orpo, que destacou o potencial econômico da iniciativa. No entanto, as revelações sobre as supostas infrações levaram a uma onda de críticas dentro do país. Mais de 93.000 cidadãos assinaram uma petição pedindo regulamentações mais rígidas para centros de dados e compensações por danos ambientais. O caso pode influenciar as eleições parlamentares previstas para abril. A Finlândia, com seu clima frio e oferta de terras, tem se tornado destino estratégico para grandes investimentos em centros de dados, mas o escândalo coloca em xeque a eficáca da fiscalização desses projetos em andamento.


