O Federal Communications Commission (FCC) está avaliando um pedido do grupo conservador Club for Growth, que gasta milhões de dólares nas eleições de 2026, para flexibilizar as regras de robocalls políticos, incluindo chamadas com voz gerada por IA, antes das eleições de meio de mandato de novembro.
Pedido da Club for Growth e argumentos
Segundo a La Nación (Argentina), o grupo solicitou uma isenção que permitiria o uso de vozes artificiais ou pré‑gravadas, incluindo as produzidas por IA, em ligações não solicitadas a celulares, alegando que as normas atuais são ultrapassadas e restringem a liberdade de expressão.
A CNA (Singapura) acrescenta que o Club for Growth afirmou que a mudança ajudaria as organizações políticas a se comunicarem com eleitores em mais idiomas e melhoraria a precisão de pesquisas ao alcançar um número maior de pessoas.
A mesma fonte argentina destaca que a lei federal atualmente proíbe a maioria das ligações automáticas para celulares sem consentimento prévio do destinatário.
Processo e posicionamento da FCC
La Nación informa que a liderança republicana da FCC avançou o pedido para período de comentários públicos e que uma decisão poderia ser anunciada já no final de outubro de 2026.
O Winnipeg Free Press (Canadá) confirma que a agência está analisando o pedido com vistas a um possível efeito nas eleições de meio de mandato.
Segundo a La Nación, grupos de defesa do consumidor alertam que a flexibilização pode provocar um aumento de ligações indesejadas, partidárias e potencialmente enganosas nos dias cruciais da campanha.
Preocupações de especialistas e da comissária democrata
A comissária Anna Gomez, única democrata entre os três comissários ativos da FCC, disse à Associated Press, conforme reportado pela La Nación, que a aprovação criaria 'um tsunami de robocalls e desinformação'.

Ela acrescentou, segundo a mesma fonte, que grupos de dinheiro obscuro já utilizam IA para sobrepor a imagem de candidatos a comentários inflamatórios e que retirar a exigência de consentimento potencializaria essa tática.
O especialista Tim Harper, do Center for Democracy and Technology, foi citado pela La Nación avisando que a decisão poderia enfraquecer um importante mecanismo de dissuasão contra atores maliciosos e abrir 'uma enorme oportunidade de abuso' no período crítico antes do voto.
A CNA (Singapura) registra que a comissária Gomez advertiu que permitir que um grupo de dinheiro obscuro encha os telefones dos americanos com robocalls de IA sem consentimento traria o caos próximo ao dia da eleição.
Contexto de uso anterior e riscos apontados
A La Nación recorda que, durante as primárias presidenciais de 2024, milhares de eleitores em New Hampshire receberam uma ligação com voz de IA que imitava então‑presidente Joe Biden, sugerindo que eles deveriam abstener‑se de votar na primária e 'guardar' o voto para a eleição geral.
O Winnipeg Free Press (Canadá) reproduz o mesmo exemplo, reforçando que o caso mostra como a tecnologia pode ser empregada para induzir comportamentos eleitorais enganosos.


