OCTO+

Lagarde alerta risco de isolamento da Europa em IA

Em discurso em Viena, a presidente do BCE alerta sobre a vulnerabilidade da Europa à dependência de IA americana

15 de set., 00:37 atualizada 15 de set., 03:35 · v2 10 fontes · 6 países Negócios
Negócios
Christine Lagarde durante discurso em Viena Foto: Werner Pfennig / Pexels

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou nesta segunda-feira (14) que a Europa corre um risco sem precedentes de ficar isolada das tecnologias de inteligência artificial, pois as empresas do bloco importam principalmente IA dos Estados Unidos.

Risco de dependência externa

Segundo a Ukrainian National News, Lagarde afirmou que, dentro de alguns anos, a IA estará inspecionando mercadorias nas fronteiras, decidindo quais declarações de impostos serão auditadas, despachando trens, monitorando pacientes em enfermarias e processando pagamentos bancários. A presidente do BCE ressaltou que um eventual corte de acesso ou mudança nos termos afetaria todos os setores de uma só vez — algo sem precedentes na relação entre a Europa e seus parceiros comerciais. Para a mesma emissora, a confiança entre UE e EUA tem sido abalada por tarifas, exigências norte-americanas sobre a Groenlândia e a retirada de tropas dos EUA do continente europeu. A Tilt (UOL) também destacou que o alerta foi feito durante discurso em Viena, na Áustria, e que a CNN Brasil havia anteriormente enfatizado a urgência de reduzir a dependência externa.

Solução: capacidade computacional e ganhos de produtividade

O The Economic Times informou que Lagarde defende aumentar a capacidade computacional europeia. O bloco já possui infraestrutura de data centers insuficiente para atender à própria demanda, e segundo as projeções, essa lacuna pode crescer mais de seis vezes em uma década. Lagarde afirmou que, se a IA for adotada rapidamente, a produtividade poderia subir até 4% ao longo de dez anos, o que seria transformador para as finanças públicas. A presidente do BCE destacou a necessidade de desenvolver modelos de IA compatíveis com a infraestrutura europeia, capazes de suprir a maioria das demandas, reduindo a vulnerabilidade a cortes de acesso. A Tilt (UOL) repetiu que a Europa precisa se tornar produtora de tecnologia de IA, em parte para preservar sua autonomia e alcançar os ganhos de eficiência exigidos para manter seu padrão de vida.

Impactos financeiros e exposição de fundos de pensão

De acordo com o The Economic Times, empresas de tecnologia dos Estados Unidos vêm contraindo empréstimos na Europa, o que eleva os custos de financiamento para os demais agentes e aperta o mercado de dívida. O mesmo veículo observou que fundos de pensão europeus mantêm forte exposição a ações de empresas tecnológicas norte-americanas, deixando as poupanças locais vulneráveis a eventuais correções de mercado. Essa exposição foi citada também pela Ukrainian National News como parte dos riscos geopolíticos que afetam a confiança transatlântica. Lagarde lembrou que, com as empresas americanas tomando crédito na Europa, os juros podem subir para todos os tomadores, encarecendo o capital para investimentos em IA local.

Onde a cobertura diverge

Apurado em 10 fontes

Ukrainian National News (Ucrânia) · The Economic Times (Índia) · Tilt (UOL) (Brasil) · oPeniazoch.sk (Eslováquia)

ver as 10 fontes

Continue lendo

Receba sem abrir o site

no e-mail ou no WhatsApp · análises + plantão + resumo semanal · cancele com 1 clique
Pronto. A primeira edição chega no seu e-mail.

Assine GRÁTIS e cancele com 1 CLIQUE quando quiser. ;)