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EUA retomam usinas nucleares para data centers

O DOE emprestará até US$ 4,4 bi para retomar três usinas nucleares, gerando 2,25 GW para cerca de 2 milhões de lares.

16 de out., 13:20 9 fontes · 4 países Infra Infraestrutura
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Usina nuclear com torres de resfriamento ao pôr do sol Foto: Wolfgang Weiser / Pexels

Os Estados Unidos estão revitalizando três usinas nucleares fechadas — Palisades (Michigan), Crane Clean Energy Center (Three Mile Island, Pensilvânia) e Duane Arnold (Iowa) — com empréstimos do Departamento de Energia de até US$ 4,4 bilhões para restaurar 2,25 GW de geração, suficiente para abastecer cerca de 2 milhões de residências e empresas, segundo La Nación e The Independent.

Contexto e escala do programa de retomada

Segundo La Nación, o Departamento de Energia dos EUA está oferecendo até US$ 4,4 bilhões em empréstimos para reiniciar três usinas nucleares que haviam sido fechadas antes do término de suas licenças: Palisades, no Michigan; Crane Clean Energy Center, localizado no local da antiga Three Mile Island, na Pensilvânia; e Duane Arnold, em Iowa.

O The Independent acrescenta que o objetivo é restaurar uma capacidade combinada de 2,25 gigawatts (GW), suficiente para abastecer cerca de dois milhões de lares e empresas, conforme informado por ambas as fontes.

Motivação: demanda de energia para data centers e apoio político

La Nación destaca que duas das plantas já possuem contratos com grandes empresas de tecnologia, que concordaram pagar um prêmio por energia livre de carbono destinada a alimentar seus data centers.

O The Independent acrescenta que a iniciativa é impulsionada pela administração Trump, que vê a nuclear como peça-chave para a inteligência artificial e a manufatura avançada, e que também está destinando bilhões de dólares para modernizar usinas atualmente em operação.

Ambas as matérias lembram que nenhum reator comercial norte‑americano é conhecido por ter retomado a geração após ter iniciado o processo de descomissionamento, embora alguns tenham sido reiniciados após longas paralisações.

Visão dos especialistas sobre viabilidade e desafios técnicos

Todd Allen, diretor associado de pesquisa na Faculdade de Engenharia da Universidade do Michigan, citado por La Nación e The Independent, afirma que reiniciar um reator é relativamente rápido e mais barato do que erguer um novo grande reator, mas exige que os proprietários tragam de volta trabalhadores nucleares, atualizem seus treinamentos, verifiquem que todos os sistemas estejam em ordem, assegurem estoque de combustível e solicitem a renovação da licença junto aos reguladores.

Ele compara o procedimento a dar partida em um carro que ficou parado por alguns anos, observando que, embora a lógica seja semelhante, o sistema nuclear é muito maior e mais complexo.

Sala de servidores de um data center com luzes azuladas
Foto: panumas nikhomkhai / Pexels

Alertas de segurança e preocupações climáticas

Edwin Lyman, diretor de segurança nuclear da União de Cientistas Preocupados, apontado nas duas publicações, alerta que o uso de dinheiro dos contribuintes deveria ser direcionado para reduzir riscos de segurança, já que a maioria das usinas foi projetada nos anos 1970‑1990 para suportar desastres naturais daquela época.

Ele nota que as mudanças climáticas estão aumentando a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos, o que pode colocar em questão as premissas de segurança originais das instalações.

Lyman afirma que, embora seja possível retomar as operações com o nível adequado de segurança e investimento necessário, tal preparo ainda não está sendo realizado nesse momento.

Implicações para a rede elétrica e metas de descarbonização

La Nación aponta que a energia gerada pelas usinas reiniciadas seria considerada livre de emissões de dióxido de carbono, contribuindo para os objetivos de redução de gases de efeito estufa dos Estados Unidos.

O The Independent acrescenta que, ao atender à demanda crescente de data centers — que consomem grandes quantidades de eletricidade — o projeto ajuda a evitar um aumento na dependência de combustíveis fósseis para suprir essa carga.

Ambas as fontes destacam que o retorno dessas usinas à operação representa uma tentativa sem precedentes nos EUA de usar ativos nucleares já existentes como solução rápida para crescentes necessidades de energia limpa.

Apurado em 9 fontes

La Nación (Argentina) · The Independent (Reino Unido)

ver as 9 fontes

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