Administrações dos EUA pressionaram anos de Musk para alterar o acesso ao Starlink em diversos países, segundo ex-funcionários. O governo norte-americano, tanto sob a presidência de Joe Biden quanto de Donald Trump, rogou à SpaceX de Elon Musk que modificasse a disponibilidade do serviço de internet por satélite em diferentes nações, conforme revelado por Reuters. As demandas incluíram tanto a ativação do Starlink quanto sua restrição em regiões estratégicas como Irã, Iêmen e Líbano.
Interferência e colaboração na política externa
Segundo fontes com conhecimento do caso, a administração Biden solicitou à SpaceX que limitasse o uso do Starlink por grupos iranianos na Iêmen e no Líbano. Paralelamente, Washington também buscou ativar o serviço no Irã para apoiar manifestações anticoloniais e garantir acesso à internet durante protestos. A administração Trump repetiu esse padrão, especialmente após ataques israelenses no Irã em 2025 e 2026.
Redução de capacidade na Ucrânia e críticas políticas
Recentemente, o governo norte-americano impôs limitações ao acesso ucraniano ao Starshield — a versão militar do Starlink —, o que levou à crítica de autoridades locais, incluindo o presidente Volodymyr Zelenskyy. A declaração de Musk, afirmando que as decisões de ativação ou desativação dependem das autoridades militares e do presidente dos EUA, não esclareceu totalmente a origem das restrições. Alguns congressistas e analistas europeus expressaram preocupação com a dependência excessiva do sistema norte-americano em conflitos internacionais.
Dilema sobre o poder de uma corporação privada
A proximidade entre o governo dos EUA e a SpaceX, especialmente no contexto de segurança nacional, gerou debates sobre o papel de figuras como Musk na formulação de política externa. Apesar de suas declarações, a transparência sobre como e por quem são tomadas as decisões de acesso ao Starlink permanece limitada tanto para governos aliados quanto para instituições reguladoras.
O que ainda não foi divulgado
- Detalhes sobre quais órgãos específicos dentro do governo norte-americano conduziram os diálogos com a SpaceX;
- Respostas formais da SpaceX ou de Elon Musk sobre os pedidos de ativação ou limitação do serviço em cada país;
- Explicações sobre os critérios adotados para definir restrições de acesso no Irã e na Ucrânia;
- Posição oficial da Casa Branca sobre a atuação de Musk como intermediário em assuntos de política externa;
- Impactos concretos das restrições impostas sobre operações militares e civis em zonas de conflito.


