Nos Estados Unidos, pelo menos 47 grandes projetos de data centers voltados para IA sofreram atrasos, cancelamentos ou tiveram a construção bloqueada este ano, segundo relatórios sul-coreanos que citam o Financial Times, com base em dados da reguladora RegLayer, que classifica o número como uma estimativa conservadora focada apenas nos empreendimentos de maior porte.
Causas apontadas pelos relatórios
A Yonhap News destaca que a dificuldade de garantir energia, obter licenças e assegurar financiamento está afetando o cronograma das obras, ampliando o abismo entre o investimento anunciado e a capacidade real de operação. O IT Daily relata que comunidades locais têm resistido à instalação dos centros, com pelo menos 45 projetos paralisados no segundo trimestre, representando cerca de 68 bilhões de dólares em investimentos previstos. Alguns municípios já adotaram moratórias antes mesmo dos pedidos de licença serem formalizados.
Impactos financeiros e de mercado
O aumento das taxas de juros e a degradação do mercado de títulos têm dificultado o acesso ao crédito para empresas de neo-cloud como a CoreWeave, cuja ação caiu 23,6% na última semana e cujo título de dívida é negociado em território de ativos em dificuldade. A Yonhap informa que o SoftBank, por meio da SB Energy, e a NVIDIA, que investem na australiana Perim’s Grid, adiaram ou suspenderam planos de abertura de capital. O IT Daily cita a nota da Oracle sobre o data center Jupiter, no Novo México, cujo fornecimento de energia atrasou cerca de um ano, embora a Blue Owl, patrocinadora do projeto, tenha garantido que o compromisso financeiro permanece inalterado.
Visões de consolidação e riscos setoriais
Segundo o Financial Times, relatado pela Yonhap, empresas de IA têm priorizado a velocidade em detrimento da experiência de parceiros, uma dinâmica descrita como “oeste selvagem”, o que poderia acelerar uma consolidação do setor de neo-cloud. Fontes do setor ouvidas pelo IT Daily projetam que o número de provedores pode cair de centenas para apenas sete a dez players, com gestoras de assets ou empresas de telecomunicações e fibra óptica adquirindo os ativos. O professor da Universidade Columbia, Stein Fanniuber, prevê que os gastos norte-americanos com infraestrutura de IA entre 2025 e 2032 chegarão a 10,3 trilhões de dólares, equivalente a 3,6% do PIB anual — cerca de 1,5 vezes o pico do boom ferroviário do século XIX e três vezes o nível do boom da internet. Ele alerta que grande parte da dívida ficará fora do balanço e que uma redução de apenas 10% no fluxo de caixa poderia apagar o valor das ações das empresas envolvidas.


