Thélyson Orélien, escritor franco-canadense de 38 anos, reconheceu publicamente ter plagiado textos de outros autores durante seus primeiros anos no Canadá, mas negou, categoricamente, que tenha usado inteligência artificial para produzir o romance C’était ça ou mourir — um dos grandes sucessos literários franceses do momento.
O escritor fez o manifesto em um comunicado enviado à agência AFP, após semanas de especulação desencadeadas por uma conta anônima no X que acusava a obra de ter sido quase que totalmente gerada por algoritmos.
Segundo Noticias Argentinas, a polêmica se originou quando essa conta questionou a autenticidade de C’était ça ou mourir, que narra a jornada de Jonas Dorléon, um professor que foge do Haiti para escapar da violência das quadras criminosas e atravessa doze países até chegar ao Canadá.
Orélien alegou que começou a escrever o livro em 2017, enquanto morava no Quebec, e finalizou uma primeira versão dois anos depois — mas não apresentou manuscritos, rascunhos ou qualquer documento que comprove essa cronologia.
No mesmo comunicado, ele afirmou ter utilizado IA apenas para pesquisas bibliográficas e que todo o conteúdo textual foi produzido por ele mesmo.
Quanto ao plagio, o escritor reconheceu ter copiado, em seu início como redator no Canadá, trechos de autores consagrados sem citar as fontes. Ele descreveu a conduta como “injustificável” e ofereceu desculpas públicas.
Repercussões na carreira e no meio editorial
A Academia Goncourt já reagiu: excluiu Orélien da lista de indicados ao prêmio de 2026, uma decisão que, segundo Noticias Argentinas, ampliou a visibilidade do caso no circuito literário francês.

O escritor disse que lamenta os atos passados e que vê o episódio como um aprendizado. Mas a ausência de provas documentais — prometidas e não entregues — mantém a dúvida sobre como e quando o romance foi realmente concluído.
O debate que não esfria
A controvérsia volta a colocar sob fogo cruzado a literatura contemporânea: até onde a IA pode ir sem questionar a autenticidade do autor? E como definir a linha entre influência e cópia quando os textos são recolhidos de memórias e vivências alheias?
Cadena 3 também reproduziu as declarações de Orélien, reforçando que ele mantém a negação sobre o uso de IA na novela, ao mesmo tempo em que não desconsidera a possibilidade de ter cometido erros em sua trajetória anterior — sem, contudo, oferecer detalhes sobre quais autores foram afetados ou como os trechos foram identificados.
O caso permanece em aberto, com os leitores e críticos aguardando mais elementos para julgar não apenas o romance, mas o próprio processo criativo de quem assina as páginas que leem.


