OCTO+

Escritor Thélyson Orélien admite plágio e nega uso de IA no romance

Thélyson Orélien, autor do romance C’était ça ou mourir, reconheceu plágio de autores em seu passado no Canadá

14 de out., 08:02 8 fontes · 3 países Negócios Cultura
Negócios
Escritor digitando em um laptop em ambiente de trabalho Foto: ClickerHappy / Pexels

Thélyson Orélien, escritor franco-canadense de 38 anos, reconheceu publicamente ter plagiado textos de outros autores durante seus primeiros anos no Canadá, mas negou, categoricamente, que tenha usado inteligência artificial para produzir o romance C’était ça ou mourir — um dos grandes sucessos literários franceses do momento.

O escritor fez o manifesto em um comunicado enviado à agência AFP, após semanas de especulação desencadeadas por uma conta anônima no X que acusava a obra de ter sido quase que totalmente gerada por algoritmos.

Segundo Noticias Argentinas, a polêmica se originou quando essa conta questionou a autenticidade de C’était ça ou mourir, que narra a jornada de Jonas Dorléon, um professor que foge do Haiti para escapar da violência das quadras criminosas e atravessa doze países até chegar ao Canadá.

Orélien alegou que começou a escrever o livro em 2017, enquanto morava no Quebec, e finalizou uma primeira versão dois anos depois — mas não apresentou manuscritos, rascunhos ou qualquer documento que comprove essa cronologia.

No mesmo comunicado, ele afirmou ter utilizado IA apenas para pesquisas bibliográficas e que todo o conteúdo textual foi produzido por ele mesmo.

Quanto ao plagio, o escritor reconheceu ter copiado, em seu início como redator no Canadá, trechos de autores consagrados sem citar as fontes. Ele descreveu a conduta como “injustificável” e ofereceu desculpas públicas.

Repercussões na carreira e no meio editorial

A Academia Goncourt já reagiu: excluiu Orélien da lista de indicados ao prêmio de 2026, uma decisão que, segundo Noticias Argentinas, ampliou a visibilidade do caso no circuito literário francês.

Capa do romance C’était ça ou morrer em primeiro plano
Foto: Suzy Hazelwood / Pexels

O escritor disse que lamenta os atos passados e que vê o episódio como um aprendizado. Mas a ausência de provas documentais — prometidas e não entregues — mantém a dúvida sobre como e quando o romance foi realmente concluído.

O debate que não esfria

A controvérsia volta a colocar sob fogo cruzado a literatura contemporânea: até onde a IA pode ir sem questionar a autenticidade do autor? E como definir a linha entre influência e cópia quando os textos são recolhidos de memórias e vivências alheias?

Cadena 3 também reproduziu as declarações de Orélien, reforçando que ele mantém a negação sobre o uso de IA na novela, ao mesmo tempo em que não desconsidera a possibilidade de ter cometido erros em sua trajetória anterior — sem, contudo, oferecer detalhes sobre quais autores foram afetados ou como os trechos foram identificados.

O caso permanece em aberto, com os leitores e críticos aguardando mais elementos para julgar não apenas o romance, mas o próprio processo criativo de quem assina as páginas que leem.

Apurado em 8 fontes

Noticias Argentinas (Argentina) · Cadena 3 (Argentina)

ver as 8 fontes

Continue lendo

Receba sem abrir o site

no e-mail ou no WhatsApp · análises + plantão + resumo semanal · cancele com 1 clique
Pronto. A primeira edição chega no seu e-mail.

Assine GRÁTIS e cancele com 1 CLIQUE quando quiser. ;)