O documentário “NAZA”, de Yuval Abraham e Rachel Szor (mesma equipe de 'No Other Land', indicado ao Oscar), estreou quinta-feira (10) no Festival de Veneza como candidato ao Leão de Ouro. Ele reúne depoimentos anônimos de 24 militares e inteligenciários israelenses que falam de sistemas de IA usados para identificar alvos e coordenar bombardeios na Faixa de Gaza, de acordo com a AFP.
O nome do filme se refere ao eufemismo usado pelos serviços de inteligência israelenses para dizer quantos civis morriam em um ataque — os militares chamam isso de “naza”. As entrevistas foram feitas à noite, em terraços de Tel Aviv, com rostos e vozes alterados. Os operadores explicam como a rede de telecomunicações de Gaza, controlada por Israel, era usada para rastrear pessoas em tempo real.
Depoimentos sobre sistemas de IA
Segundo o jornal venezuelano El Nacional, um dos entrevistados diz ser o criador de um sistema algorítmico que calcula a concentração de pessoas em um edifício sob ataque israelense. “Deixamos que os soldados e oficiais falassem de o que fizeram”, disse Abraham em declaração à AFP, citada pelo O Globo. Rachel Szor completou: “No filme mostramos como eles usam um programa de espionagem para abrir os telefones das pessoas no prédio e ouvir os últimos momentos de crianças, mulheres e homens que vão ser bombardeados”.
Os depoimentos, segundo os diretores, são resultado de anos de investigação e construção de confiança. “Surpreendeu-nos que tantas pessoas estivessem dispostas a revelar detalhes do sistema e falar dos crimes horríveis”, disse Abraham à AFP.

Contexto do conflito
A guerra em Gaza começou com o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou mais de 1.200 israelenses. Até agora, mais de 73.500 palestinos morreram e 174.500 foram feridos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, cujos dados são confiáveis para a ONU. O documentário tem imagens de arquivo do crescimento militar de Israel desde 1948 e compara cenas de ruínas urbanas com a vida noturna de Tel Aviv.
“Queríamos fazer com que seja mais difícil negar esses crimes sistêmicos no futuro”, disse Abraham. O filme foi aceito no festival uma semana antes de começar, de forma última, segundo a imprensa italiana.


