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Documentário 'NAZA' expõe IA israelense em Gaza no Veneza

Documentário 'NAZA' (equipe de 'No Other Land') estreia no Veneza com depoimentos de militares israelenses sobre uso de IA em Gaza

10 de set., 19:20 7 fontes · 6 países Mercado Cultura
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Plateia no Festival de Cinema de Veneza durante exibição de documentário Foto: gianfranco marotta / Pexels

O documentário “NAZA”, de Yuval Abraham e Rachel Szor (mesma equipe de 'No Other Land', indicado ao Oscar), estreou quinta-feira (10) no Festival de Veneza como candidato ao Leão de Ouro. Ele reúne depoimentos anônimos de 24 militares e inteligenciários israelenses que falam de sistemas de IA usados para identificar alvos e coordenar bombardeios na Faixa de Gaza, de acordo com a AFP.

O nome do filme se refere ao eufemismo usado pelos serviços de inteligência israelenses para dizer quantos civis morriam em um ataque — os militares chamam isso de “naza”. As entrevistas foram feitas à noite, em terraços de Tel Aviv, com rostos e vozes alterados. Os operadores explicam como a rede de telecomunicações de Gaza, controlada por Israel, era usada para rastrear pessoas em tempo real.

Depoimentos sobre sistemas de IA

Segundo o jornal venezuelano El Nacional, um dos entrevistados diz ser o criador de um sistema algorítmico que calcula a concentração de pessoas em um edifício sob ataque israelense. “Deixamos que os soldados e oficiais falassem de o que fizeram”, disse Abraham em declaração à AFP, citada pelo O Globo. Rachel Szor completou: “No filme mostramos como eles usam um programa de espionagem para abrir os telefones das pessoas no prédio e ouvir os últimos momentos de crianças, mulheres e homens que vão ser bombardeados”.

Os depoimentos, segundo os diretores, são resultado de anos de investigação e construção de confiança. “Surpreendeu-nos que tantas pessoas estivessem dispostas a revelar detalhes do sistema e falar dos crimes horríveis”, disse Abraham à AFP.

Sala de inteligência militar com telas e mapas
Foto: Phát Trương / Pexels

Contexto do conflito

A guerra em Gaza começou com o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou mais de 1.200 israelenses. Até agora, mais de 73.500 palestinos morreram e 174.500 foram feridos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, cujos dados são confiáveis para a ONU. O documentário tem imagens de arquivo do crescimento militar de Israel desde 1948 e compara cenas de ruínas urbanas com a vida noturna de Tel Aviv.

“Queríamos fazer com que seja mais difícil negar esses crimes sistêmicos no futuro”, disse Abraham. O filme foi aceito no festival uma semana antes de começar, de forma última, segundo a imprensa italiana.

Apurado em 7 fontes

El Nacional (Venezuela) · O Povo (Brasil) · O Globo (Brasil)

ver as 7 fontes

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