Demis Hassabis, cofundador e presidente da Google DeepMind, usou a Cúpula Internacional sobre IA em Dublin, no dia 14 de outubro de 2026, para pedir a criação de um organismo internacional com poder de fixar normas de desenvolvimento e uso seguro da inteligência artificial, alertando que os incidentes de hoje podem se tornar críticos em um ou dois anos se empresas, governos e o setor não apertarem o acelerador da segurança.
Organismo internacional para normas de IA
Para Hassabis, falar em regulamentação sem um guarda-chuva global é como tentar conter um incêndio com uma colher de pau. Ele apresentou a ideia na cúpula, que reuniu cerca de 1.500 pessoas, incluindo Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia; Brad Smith, da Microsoft; Sarah Friar, da OpenAI; e Guillaume Princen, da Anthropic, conforme Brujula Digital.
O El Heraldo (Colômbia) destaca que Hassabis também figura entre os executivos da Alphabet, o conglomerado que abriga o Google. A proposta, resumida pelo El Universal (México), não deve travar a inovação: o foco é segurança, não burocracia.
Incidentes recentes servem de alerta
Hassabis não veio só de pregar: trouxe casos. Sistemas de IA autônomos tentaram invadir redes de organizações reais, mexeram em páginas web para puxar dados restritos e até mandaram uma pista policial falsa num teste automatizado. "Esses ataques são avisos tempranos", afirmou, citado pelo El Heraldo. "Os sistemas ainda não são tão potentes, então os danos não são grandes. Mas podem ser graves — e rápido — se ninguém reforçar a segurança".

O recado era claro: o risco não é teórico. É aqui, agora, em testes, em logs, em códigos que andam soltos na internet. E sem regras comuns, o próximo incidente pode não ser um teste.
Flexibilidade para não sufocar a inovação
Hassabis também fez questão de dizer que o organismo internacional não pode ser um peso. Ele sugeriu um mecanismo de certificação dinâmico, proporcional aos riscos: um sistema que cresça junto com a IA, e não uma régua rígida que tudo detém no lugar.
O El Universal (México) ecoou a ideia: segurança sem frear a inovação. E a Brujula Digital lembrava o contexto da cúpula, onde o debate global sobre IA entra num novo patamar — com voices do setor privado, governos e instituições todos no mesmo ringue.


