A Coreia do Sul investiu 6,5 bilhões de won entre 2021 e 2023 no desenvolvimento de um sistema de detecção de minas baseado em inteligência artificial — mas a tecnologia nunca chegou a operação de campo.
O projeto, oficialmente batizado como “AI 융합 지뢰탐지시스템 개발·실증”, nasceu da crise de 2015 chamada “목함지뢰 도발”, quando a Coreia do Norte lançou um ataque com minas contra o lado sul da zona desmilitarizada.
Dois consórcios receberam cerca de 32 bilhões de won cada — um total de 65,55 bilhões de won distribuídas ao longo de três anos de P&D. A ideia era simples: unir sinais de radar de penetração no solo (GPR) com detectores de metal, tudo analisado por algoritmos de IA para localizar artefatos enterrados com precisão.
O plano era embarcar os modelos treinados nos detectores de minas e robôs de desminagem usados pelas tropas de engenharia. Mas o sistema nunca saiu do laboratório.
Desempenho abaixo do esperado
Nos testes de 2023, os resultados foram duros. Em ambientes padronizados, cada consórcio marcou apenas 1 ponto em 3 possíveis na avaliação de taxas de falsos alarmes.
Na detecção em tempo real de minas metálicas, os dois consórcios ficaram com 2 pontos em 5. Na de minas não metálicas, um dos consórcios também chegou a 2 pontos.
Em ambiente controlado, a taxa de detecção ficou em 68% para minas metálicas e 75% para não metálicas. Mas em condições reais, caíram para 71% e 41%.
Num relatório final, um dos consórcios reconheceu apenas: “o desempenho em tempo real é insuficiente para uso operacional”.

Sem implantação e críticas no Congresso
Os documentos apresentados à NIPA em “2026년 현재 상용화 및 추가 구축 현황” não mencionam nenhuma compra de detectores de minas ou robôs de desminagem pelas forças armadas.
O prazo inicial era levar o sistema ao campo em 2025. Até lá, nenhum equipamento chegou às unidades de engenharia de combate.
O deputado Kim Jang‑gyeom, do Partido do Poder do Povo, afirmou que mais de 6,5 bilhões de won foram gastos em ensaios acadêmicos sem produto final utilizável. Ele também pressionou por uma revisão completa do modelo de P&D governamental — especialmente a ligação entre laboratórios e unidades que realmente usam o equipamento.
Transparência ainda pendente
Nenhum valor exato foi divulgado sobre quanto cada consórcio recebeu.
Os nomes das empresas ou instituições que formaram os consórcios permanecem em sigilo.
Não há informações sobre novos testes, ajustes ou planos de refinamento após a avaliação de 2023.


