Oficiais sul-coreanos afirmam que Washington e Seul estão discutindo novos investimentos em fábricas de chips nos Estados Unidos, num acordo que prevê US$ 350 bilhões de aporte sul‑coreano, enquanto o governo americano sinaliza a possibilidade de tarifas direcionadas a semicondutores, segundo veículos sul-coreanos e internacionais.
Detalhes das negociações de investimento
Um oficial presidencial respondeu a repórteres sobre se as tarifas anunciadas pelo secretário de comércio americano Howard Lutnick estavam interferindo nas conversas de investimento entre Seul e Washington.
Ele disse que os dois países tratam de investimentos em semicondutores nos EUA como parte de diálogos bilaterais mais amplos e que estão fazendo esforços para evitar que esses assuntos se prejudiquem mutuamente.
Segundo o acordo fechado pelos presidentes no ano passado, Seul se comprometeu a aplicar US$ 350 bilhões em manufatura americana, garantindo que as tarifas impostas aos chipmakers sul-coreanos não sejam menos favoráveis do que as oferecidas a qualquer concorrente com volume de comércio igual ou maior.
A CNA acrescentou que o oficial classificou as conversas sobre chips como parte dos assuntos de investimento atualmente em discussão.
The Economic Times observou que a demanda por chips disparou enquanto empresas de tecnologia dos EUA correm para montar infraestrutura de IA e que as negociações sobre questões de segurança nacional não avançaram, citando o plano sul‑coreano de construir um submarino movido a energia nuclear como parte do mesmo acordo do ano passado.
Ameaça de tarifas e impacto nas empresas
Em entrevista à CNBC no dia 2, Howard Lutnick disse que Washington vai adotar uma política tarifária cuidadosamente direcionada aos semicondutores, concedendo alívio às empresas que construírem fábricas nos EUA e cobrando tarifas das que não o fizerem.
Ele apontou que TSMC e Micron, que estão ampliando suas unidades nos Estados Unidos, provavelmente se encaixarão nesse benefício.

A presidência sul‑coreana informou ao Seoul Economic Daily no dia 3 que vai acompanhar de perto os desenvolvimentos tarifários e buscar diálogo com Washington para tentar evitar prejuízos às companhias locais.
O mesmo veículo destacou que a chinesa CXMT chegou a 10% de participação no mercado global de DRAM no segundo trimestre, aumento de dois pontos percentuais frente ao trimestre anterior, com apoio sustentado do governo chinês e impulsionada pela demanda ligada à IA e pela expansão de capacidade.
Ele acrescentou que esse patamar de 10% é visto como limite para que um fabricante ganhe influência de mercado significativa e recupere seus custos de investimento, enquanto a Samsung manteve a liderança com 38% e a SK Hynix recuou para 25% no mesmo período.
Como a cobertura foi enfatizada em cada mercado
O The Economic Times e a CNA concentraram suas reportagens nas conversas de investimento e nos detalhes do acordo de US$ 350 bilhões.
Já o Seoul Economic Daily deu maior ênfase à possibilidade de tarifas direcionadas e ao avanço da concorrente chinesa CXMT no mercado de memória.
Essa divergência de foco revela como alguns veículos privilegiaram o aspecto de cooperação econômica entre Seul e Washington, enquanto outros ressaltaram os riscos protecionistas e a pressão competitiva no setor de semicondutores.


