As exportações da Coreia do Sul mais que duplicaram entre 1° e 20 de outubro, atingindo U$61,6 bilhões, segundo dados do serviço de alfândega sul-coreano divulgados pela agência Yonhap. O período marcou o maior volume para as primeiras duas dezenas de outubro em toda a série histórica, com média diária de U$4,74 bilhões nos dias úteis, também um novo recorde. O forte desempenho foi liderado por um salto na exportação de semicondutores.
Semicondutores dominam o embarque
Em termos anuais, as exportações de chips subiram 222,5%, chegando a U$27,5 bilhões, o que impulsionou diretamente o crescimento geral. Os semicondutores respondiam por 44,7% do total das exportações, alta de 16,2 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior, reforçando o peso da indústria da computação e da memória na economia sul-coreana.
Outros setores também registraram alta forte: produtos petrolíferos (68,3%, U$3,94 bilhão), automóveis (40,9%, U$3,35 bilhão) e aço (42,6%, U$2,58 bilhão).
Por destino, a China recebeu U$16,6 bilhões em exportações, alta de 154,4%, e os Estados Unidos, U$10,7 bilhões, com alta de 154,9%. A Vietnam subiu 74,6% e a União Europeia, 78,2%, ambos em termos anuais.

Superávit comercial ampliado
As importações também subiram 42,8% a mais, totalizando U$47,1 bilhões no período, mas o saldo comercial ficou positivo em U$14,5 bilhões. Acumulado desde janeiro, o total de exportações chegou a U$876,3 bilhões, alta de 59,5% sobre o ano anterior, e o superávit comercial acumulado totalizou U$266,9 bilhões, segundo o relatório da alfândega.
Contexto para decisores brasileiros
A dominância da Coreia do Sul na cadeia global de semicondutores reforça uma realidade estrutural para a economia brasileira, que é um dos maiores importadores de chips do mundo e depende de fornecedores asiáticos para setores como automotivo, eletrônicos e tecnologia. Enquanto os embarques sul-coreanos de semicondutores atingem níveis recorde, o Brasil avança em projetos de desenvolvimento nacional da cadeia produtiva de semicondutores, com apoio do governo, mas enfrenta uma competição global dominada por players asiáticos com economia de escala muito maior, o que mantém a barra elevada para a competitividade local.
O dado também é relevante para a política comercial brasileira. A forte volatilidade dos preços e volumes de semicondutores, evidenciada pelo salto na Coreia do Sul, impacta a conta de importações e a inflação de bens de capital e consumo no Brasil, já que boa parte dos produtos eletrônicos e veículos depende desses componentes.
O que ainda não foi divulgado
- Projeções para o restante de outubro e de 2026 sobre a manutenção do ritmo de crescimento das exportações.
- Impacto direto dos números sobre preços internacionais de semicondutores.
- Reações de governos ou empresas brasileiras ao dado divulgado.
- Detalhes sobre a demanda específica por trás do salto de 222,5% nas exportações de chips.


