China acusou a proposta do executivo da Anthropic, Dario Amodei, de reduzir o ritmo da inteligência artificial de ser uma estratégia da Guerra Fria para impedir seu avanço tecnológico. Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou os apelos de líderes de big tech para uma pausa e disse que Washington não pode arriscar perder sua vantagem sobre Pequim.
Reação da China e da mídia estatal
Segundo a A Haber, o veículo estatal chinês Global Times descreveu o pedido de Dario Amodei para desacelerar a IA como uma "tática da Guerra Fria". O editorial da mesma publicação alertou que o chamado "Silêncio da Guerra Fria" é dois-lado e de visão estreita — excluir a China da inovação global em IA, disse, aumentaria os riscos de ensaio-erro e perda de controle. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Ciakun, afirmou em coletiva de imprensa em Pequim que o progresso da IA deve beneficiar toda a humanidade. Ele pediu uma abordagem aberta e inclusiva e alertou que medos, confrontos e competição desleal prejudicariam a governança global da IA sem benefícios para nenhum país.
- Global Times chamou a proposta de Amodei de tática de Guerra Fria.
- Editorial afirmou que o silêncio da Guerra Fria é dois-lados e de visão estreita.
- Guo Ciakun declarou que o desenvolvimento da IA deve servir ao bem-estar de toda a humanidade.
Posição dos EUA e de Donald Trump
O Jornal do Commercio informou que, em 13 de setembro, Donald Trump disse que, embora algumas salvaguardas pudessem ser introduzidas, ele se opôs a uma pausa no avanço dos modelos de IA. "Os Estados Unidos não podem arriscar perder a liderança para a China", disse. Ele acrescentou que forças negativas levantam cenários que "não vão acontecer" e que quem vencer em IA vence em tudo — reforçando que os EUA estão à frente e pretendem manter essa posição.

Apelo de Dario Amodei e apoio de Elon Musk e Sam Altman
Conforme a A Haber, em 12 de setembro, Dario Amodei publicou um artigo no site da Anthropic, alertando que o ritmo acelerado da IA poderia ultrapassar a capacidade da sociedade de compreender e controlar os sistemas. Ele recomendou reduzir a velocidade de implantação para dar tempo às medidas de segurança. Além disso, pediu que as empresas de IA acordassem padrões comuns de segurança e estabelecessem regras para a taxa de lançamento de novos modelos. Elon Musk apoiou no X com "Dario haklı", enquanto Sam Altman, da OpenAI, afirmou que apoia a ideia e seguirá os mesmos passos em avaliação independente. Amodei ressaltou a necessidade de apertar os controles de exportação de chips dos EUA para a China e de impedir que laboratórios chineses obtêm dados de modelos norte-americanos por meio da "distillation". Em entrevista à CBS News, ele disse que o maior obstáculo à sua proposta é a possibilidade de que a China e outras nações rivais não sigam o mesmo ritmo de desaceleração.
Contexto geopolítico
As declarações se deram entre 12 e 14 de setembro de 2026, em meio à intensificação da rivalidade tecnológica entre os Estados Unidos e a China — ambos tratam a inteligência artificial como um ativo estratégico. Observadores apontam que os pedidos de redução de velocidade da IA se cruzam com tensões comerciais e de acesso a semicondutores, refletindo a disputa mais ampla por liderança em tecnologia de ponta.


