Segundo o Macau Daily Times, os presidentes Donald Trump (EUA) e Xi Jinping (China) devem se encontrar nesta semana para tratar da rivalidade em inteligência artificial e das preocupações comuns com riscos de segurança.
Contexto da corrida pela liderança em IA
O Macau Daily Times informa que Estados Unidos e China estão em disputa para dominar a área de inteligência artificial, enquanto a diferença tecnológica entre as duas potências vem se reduzindo. Essa competição ocorre num momento em que ambos os países reconhecem que o avanço da IA traz também perigos que podem afetar a humanidade como um todo.
O veículo cita o analista Scott Singer, co‑diretor da China AI Initiative no Carnegie Endowment for International Peace, que afirma que a conversa entre Washington e Pequim sobre IA está presa aos altos e baixos da relação bilateral mais ampla, o que dificulta a busca por pontos em comum sobre segurança global.
Agenda esperada para a reunião Trump‑Xi
Segundo o mesmo veículo, a pauta do encontro pode incluir a criação de um mecanismo de diálogo dedicado à inteligência artificial. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou após conversas em Nova Iorque com o vice‑premier chinês He Lifeng que os dois governos discutiram a formação desse mecanismo e propuseram um novo “notification mechanism” para incidentes de IA que alcancem nível de segurança nacional.
Bessent acrescentou que o objetivo é desenvolver uma visão compartilhada de metas comuns e ameaças comuns, ressaltando a necessidade de cooperação mesmo diante da rivalidade. O assessor de ciência e tecnologia de Donald Trump, Michael Kratsios, também destacou em entrevista à Fox News a importância de falar com Pequim sobre a evitação de riscos compartilhados, embora a sua declaração tenha sido interrompida no texto original.

Temas de segurança que podem ser abordados
O Macau Daily Times traz a opinião de Sun Chenghao, fellow sênior do Centro de Internacional Security and Strategy da Tsinghua University, que aponta que a reunião pode tratar de riscos de IA capazes de prejudicar ambos os países. Entre esses riscos estão ciberataques habilitados por inteligência artificial, uso inadequado da IA em contextos biológicos, grandes falhas em modelos de IA e a possível perda de controle humano sobre sistemas autônomos.
Sun enfatizou que ainda há espaço significativo para cooperação e que seria um erro considerar todo o debate de segurança como mero reflexo da competição geopolítica entre as duas nações.
Preocupações chinesas com segurança de IA
O mesmo especialista observou que a China tem aumentado a atenção a riscos como perda de controle de sistemas de IA, uso malicioso da tecnologia, ameaças cibernéticas e à segurança dos próprios agentes de IA. Essa evolução na visão chinesa reflete o reconhecimento de que os perigos da IA não são exclusivos de um único bloco, mas podem afetar qualquer país que desenvolva ou implemente a tecnologia.


