Character.AI, plataforma de chatbots fundada em 2021 por ex‑engenheiros do Google, pediu recuperação judicial nos EUA ao entrar com um processo de Chapter 11 em Delaware, conforme divulgado pelo TechCrunch e confirmado pelo Business Insider.
Detalhes financeiros e acordo com a Disney
De acordo com o documento judicial citado pelo TechCrunch, a empresa declarou possuir ativos e passivos entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões. O Business Insider informa que a Character.AI firmou um acordo preliminar para vender alguns de seus ativos à Disney Worldwide Services, afiliada da Walt Disney Company, pelo valor de US$ 20 milhões, além de conceder à empresa de entretenimento uma licença não exclusiva e perpétua sobre sua tecnologia. A Disney também deverá prestar serviços de transição utilizando ex‑funcionários da startup que foram contratados pela gigante do entretenimento no mês anterior, incluindo o ex‑CEO Karandeep Anand, que agora ocupa o cargo de CTO da Disney.
Contexto das pressões legais e operacionais
Ambas as fontes apontam que o pedido de falência ocorre após um período de "significant legal, regulatory, and operational headwinds", expressão usada pelo CEO Colin Adams em comunicado publicado pela Character.AI e reproduzida pelo Business Insider. O TechCrunch destaca que a empresa passou por uma série de processos judiciais relacionados a alegações de que seus chatbots influenciaram episódios de automutilação e suicídio entre adolescentes, incluindo o caso de um menino de 14 anos na Flórida cujo processo moveu a mãe. O Business Insider acrescenta que, no início deste ano, a Character.AI e o Google chegaram a um princípio de acordo para resolver várias dessas ações, inclusive aquelas envolvendo famílias de jovens que se machucaram ou cometeram suicídio após usar os bots, embora os termos não tenham sido divulgados. Além disso, a startup havia proibido conversas abertas com usuários menores de 18 anos após preocupações sobre o impacto da IA em crianças e adolescentes.

Histórico de financiamento e mudanças estratégicas
O TechCrunch relembra que a Character.AI foi fundada no final de 2021 por Noam Shazeer, coautor do artigo Transformer, e Daniel De Freitas. Em setembro de 2022, a startup atingiu o status de unicornio após captar US$ 150 milhões em rodada de financiamento, época em que afirmava ter trocado mais de dois bilhões de mensagens com seus bots em cinco meses, com usuários passando mais de duas horas por dia na plataforma. Em agosto de 2024, o Google fechou um acordo de US$ 2,7 bilhões para licenciar os modelos da Character.AI, levando ao retorno de Shazeer e De Freitas ao mecanismo de busca; a partir daí, a empresa passou a focar no crescimento, deixando de treinar novos modelos de base. Apesar disso, a plataforma chegou a 20 milhões de usuários ativos mensais em outubro de 2024.
Situação atual e perspectivas
Segundo o Business Insider, a Character.AI pretende manter o serviço online enquanto o processo de venda estiver em curso, com expectativa de fechamento entre o final de novembro e início de dezembro de 2026. O CEO Colin Adams declarou que, caso não haja lance suficiente para manter a operação, a plataforma será encerrada. Até o momento, não foi divulgado se há outros interessantes além da Disney nem o valor exato de eventuais contraofertas no âmbito do processo de falência.


