Jensen Huang, CEO da Nvidia, usou um encontro em Berlim para dizer que a IA física — a que age no mundo real, com robótica e fábricas — pode reengenheirar a economia alemã sem colocar em risco a indústria pesada do país. “Eletrons nunca substituem átomos”, frisou, mas a tecnologia amplia o que os fabrilistas já sabem fazer. “O próximo ciclo da IA é físico”, disse ao lado do chanceler Friedrich Merz, em um evento de investimento.
O apelo no cenário de Berlim
Huang estava em Berlim para um encontro de investimento ao lado do chanceler Friedrich Merz. Lá, defendeu que empresas alemãs de automóveis e máquinas industriais precisam adotar IA com urgência — não para substituir operários, mas para potencializar o que os engenheiros e operários já fazem. A ideia, segundo ele, é usar a riqueza de dados de fabricação da Alemanha como insumo para sistemas de inteligência artificial.
O apelo veio com um alerta: “Essa revolução industrial é tão forte, tão poderosa. Você não tem outra chance”. Para ele, a IA que atua no mundo físico — robótica, produção de veículos, indústria pesada — é a próxima fase da tecnologia, e a Alemanha tem tudo para liderar essa transformação.
O peso do Mittelstand e os dados que a Alemanha tem em mãos
Huang destacou o papel do Mittelhand, o conjunto de centenas de pequenas e média empresas altamente especializadas da Alemanha. É nesse grupo que ele vê a maior oportunidade: os dados de produção legíveis por máquina e a experiência fabril são, segundo ele, um património nacional que ainda não foi bem explorado. “sua riqueza natural é isso: dados e engenharia. Eles pertencem ao país”, afirmou.

O ex-presidente do BCE Mario Draghi já sinalizou isso em outras ocasiões, apontando que a Europa pode competir com EUA e China se souber transformar esses dados em capital para IA. Huang repetiu o argumento: a Alemanha não precisa de algoritmos de outro lugar para começar a usar IA na prática.
O dilema europeu: crescimento vs dependência
Ao lado de Merz, Huang também tocou no cenário mais amplo. O chanceler está tentando reaquecer uma economia estagnada desde a pandemia, enfrentando três grandes desafios: o encarecimento da energia após a perda do gás russo barato, a forte competição chinesa no setor automotivo e uma burocracia que travla projetos por anos. A IA parece ser, para muitos líderes europeus, uma rota de escape — mas també um risco.
Dirigentes europeus veem na IA uma oportunidade de crescimento, mas estão atentos à dependência em relação a empresas de tecnologia norte-ameridianas, especialmente depois de outras potências terem construído ecossistemas próprios. A Alemanha, com seus dados e sua engenharia, poderia ser o contraponto: uma nação que oferece matéria-prima digital para a próxima revolução industrial.
O que ficou de fora
- Não foi divulgado quanto em investimento as empresas alemãs devem direcionar para adoção de IA.
- Não há cronograma para implementação da transformação industrial proposta por Huang.
- Não foram nomeados parceiros de tecnologia além da Nvidia para as iniciativas citadas.


