O que a pesquisa encontrou
O Globo publicou em 30 de agosto de 2026 uma análise do blog Lauro Jardim que verificou os planos de governo dos candidatos a presidente ou governador nas eleições de 2026. Segundo a reportagem, entre os 211 documentos examinados, seis deles contém a expressão literal "promessas soltas". Dessas seis, metade apresentou uma formulação que a matéria classifica como típica de linguagem produzida por inteligência artificial. A assinatura do texto é de Rodrigo Castro.
Os três planos que trazem a variação mais direta da expressão pertencem ao senador Flávio Bolsonaro, ao ex‑prefeito de Salvador ACM Neto e à candidata Doutora Natasha. Flávio Bolsonaro escreve: "Não é uma lista de promessas soltas: é uma jornada". ACM Neto apresenta: "Não é uma lista de promessas soltas. É uma série de propostas". Doutora Natasha afirma: "Este plano não é uma lista de promessas soltas: é um método". Cada uma das frases substitui a ideia de lista solta por uma alternativa que aponta para um caminho, conjunto de propostas ou procedimento.
Outras ocorrências e interpretações
Além desses três, a reportagem identifica a mesma base expressão nos planos de Álvaro Dias (Partido Liberal do Rio Grande do Norte), Felipe Camarão (Partido do Trabalho do Maranhão) e Renan Hallais (Missão‑PE). Nos documentos desses candidatos a expressão aparece em forma ligeiramente alterada, mas preserva a estrutura de negação seguida de uma proposta positiva. Por exemplo, alguns deles utilizam a formulação "Não apresentamos promessas soltas. Construímos um projeto...", enquanto outros afirmam "Pernambuco não precisa de mais promessas soltas...".
A matéria também aponta que outras variações menos diretas da mesma ideia estão presentes nos mesmos textos, como as frases que substituem a expressão por referências a projetos ou à ausência de necessidade de novas promessas. Essas ocorrências reforçam o padrão de troca da locução "promessas soltas" por construções que apontam para um plano de ação, um conjunto de propostas ou um método de implementação.

Segundo a análise divulgada pelo O Globo, embora apenas seis dos 211 planos contenham a expressão exata, a recorrência da combinação negação‑alternativa sugere uma tendência de linguagem que pode ter sido capturada por ferramentas de detecção de texto gerado por IA. A reportagem, porém, não revela quais algoritmos ou bases de dados foram utilizados nem indica a margem de erro da classificação.
O artigo conclui enfatizando que a presença desse padrão não prova, por si só, que os planos tenham sido elaborados com auxílio de inteligência artificial; indica apenas que a fórmula adotada coincide com padrões frequentemente observados em saídas de modelos de linguagem. A divulgação ocorre no contexto da disputa eleitoral de 2026, quando os programas de governo são objeto de atenção crescente por parte da imprensa e do eleitorado.


