O diretor executivo do FMI para a Ásia e Pacífico, Choi Ji-young, disse em entrevista em Bangkok, durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, que o boom da inteligência artificial mantém o crescimento da Coreia do Sul mesmo com as pressões globais — e aumentou a previsão de PIB para 2026 para 3,3%, 0,7 ponto a mais que a projetação de julho.
Crescimento à prova de tempestades
Choi esteve em Bangkok no dia 18 de outubro para discutir com jornalistas os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia e da crise no Oriente Médio — dois fatores que, segundo ele, pesam na economia global. Mas a Coreia do Sul resistiu graças aos embarques de semicondutores, impulsionados pela corrida por data centers e infraestrutura de IA.
O FMI já havia elevado a meta de crescimento para o país em outubro, mas Choi não escondeu que a projeção oficial ainda não reflete todo o estímulo governamental — o que sugere que 3,3% pode ser uma estimativa conservadora.
Data centers demoram uma década
A construção de centros de dados para IA não é algo rápido. Segundo Choi, cada instalação leva cerca de dez anos para ser concluída — e o investimento em solo nem começou ainda. Isso, ele disse, significa baixo risco de interrupção.
Os fluxos de capital vão seguir. Não há motivos para cortar. A infraestrutura teve pouco tempo de se consolidar e já mostrou resistência.
Se o boom parar, o país sente
Mas há um aviso claro: se a euforia em torno da IA desaparecer, a Coreia do Sul não escapa ilesa. Choi listou os riscos — correção nas ações, desequilíbrio na conta corrente, impacto direto sobre empresas locais.

Ainda assim, dentro do FMI, a aposta é de longo prazo. O ciclo de IA não será breve.
Fiscal space maior, dívida secundária
O boom abriu espaço fiscal. A Coreia do Sul não precisa se prender à regra dura da dívida/PIB. Inovar pesa mais do que controlar números contábeis, disse Choi — e o FMI concorda: os conselheiros do fundo já reconhecem que a orientação padrão não se aplica ao contexto do país.
Future Fund: estrutura aprovada, detalhes em aberto
O plano do governo de lançar o Future Fund com recursos do superciclo de chips ganhou avaliação positiva da equipe do FMI — quanto à estrutura básica. Mas nenhuma análise técnica detalhada foi feita até agora.
Conservadorismo na projeção?
Choi encerrou dizendo que a previsão de 3,3% para 2026 não captura plenamente o impacto esperado das políticas de estímulo ao crescimento. Ou seja: o FMI vê potencial para melhor.
- Nenhum valor absoluto sobre investimentos em centros de dados ou semicondutores foi divulgado.
- Detalhes sobre o tamanho ou funcionamento do Future Fund permanecem em sigilo.
- Não há estimativas quantitativas sobre o impacto de uma possível desaceleração da IA sobre ações ou conta corrente.


