O vice-governador do Banco do Japão, Shinichi Uchida, afirmou em discurso de 5 de outubro de 2026 que o boom global de IA pode ter aliviado as condições financeiras ao impulsionar demanda e preços de ativos, mas advertiu que uma correção de mercado pode vir rápido se os lucros não acompanhar o aumento dos preços.
Essa demanda pressiona a inflação
“É um choque positivo de demanda”, disse Uchida. A IA eleva produtividade e acúmulo de capital, fatores que podem redefinir a taxa natural de juros do país — mas o caminho não é linear. O BOJ agora olha para a inflação subjacente como se pudesse ultrapassar a meta de 2%, o que exigiria mais um aperto monetário. Não é só isso: a emissão de títulos por empresas ligadas à IA já pressiona as taxas de longo prazo para cima.
Mas o risco de queda é real
“Parece que a demanda veio primeiro e tornou as condições financeiras mais acomodatícias no geral”, completou. Mas a bala não dispara sozinha. Se os lucros não seguirem, o mercado corrige — e rápido. Esse foi o recado principal daquele discurso de 5 de outubro.
O que o BOJ vai fazer agora?
Em junho e setembro de 2026, o banco já subiu os juros — reagindo ao choque energético da guerra no Irã e ao iene fraco, que encarece as importações. Agora, o foco é claro: analisar dados econômicos e financeiros até formar uma visão consistente do impacto da IA. A inflação acima da meta pode exigir mais passos na mesma direção.
- O vice-governador Uchida discutiu os efeitos da IA na economia japonesa durante discurso de 5 de outubro;
- O BOJ afirma que a alta demanda ligada à IA pode empurrar a inflação acima de 2%, exigindo novo aperto;
- A grande emissão de títulos por empresas da IA pressiona para cima as taxas de longo prazo;
- O banco central já elevou os juros em junho e setembro de 2026, reagindo ao choque energético e ao iene fraco.


