O Banco da Inglaterra alertou que bancos precisam se preparar para ciberataques facilitados por inteligência artificial, adotando planos de recuperação 'bare metal' para serviços essenciais.
Advertência da BoE sobre riscos de IA
Sarah Breeden, vice-governadora do Banco da Inglaterra responsável pela estabilidade financeira, afirmou que as instituições financeiras não podem mais considerar suas defesas à prova de falhas diante do avanço de modelos de IA avançados. Em entrevista à CNA, ela destacou que hackers ou Estados hostis podem usar essas tecnologias para explorar vulnerabilidades nos sistemas bancários.
A Reuters, citada pelo Cyprus Mail, acrescentou que a autoridade monetária britânica está colaborando com as instituições para elaborar opções de recuperação profunda em caso de incidentes cibernéticos. Breeden explicou que é necessário pensar em soluções de recuperação 'bare metal' que atuem de forma independente do ambiente tecnológico principal dos bancos.
O Cyprus Mail relatou ainda que a própria Breeden descreveu o ciberrisco como o fator que mais a impede de dormir, pois teme que um banco sistemicamente importante ou parte de sua infraestrutura crítica seja atacado e fique paralisado.
Planos de recuperação 'bare metal' e preparação para computação quântica
Segundo a CNA, o Banco da Inglaterra também está pesquisando a preparação das instituições para os riscos que a computação quântica traz à criptografia. Breeden disse que o BoE está aplicando uma pesquisa aos bancos para entender onde eles estão e pretende usar esses resultados, junto com orientações do National Cyber Security Centre do Reino Unido, para construir um plano de resposta sistêmico para o setor financeiro.
O Cyprus Mail informou que sistemas 'bare metal' são totalmente separados da arquitetura tecnológica habitual de um banco e podem ser acionados caso os sistemas operacionais primários sejam comprometidos. Essa camada extra seria usada para manter serviços essenciais em funcionamento durante um ataque.
Lionel Martellini, diretor do EDHEC Quantum Institute, apontou que, diferentemente de ameaças cibernéticas convencionais, um avanço na computação quântica poderia simultaneamente enfraquecer as bases criptográficas que sustentam pagamentos, liquidações e comunicações financeiras.

Resposta global e desafios futuros
A Reuters, conforme mencionado pelo Cyprus Mail, relatou que reguladores ao redor do mundo estão intensificando os esforços para conter riscos cibernéticos que possam ameaçar a estabilidade financeira. No Reino Unido, supervisores têm incentivado os maiores bancos a analisar planos de recuperação 'bare metal'.
Breeden, ao falar na reunião anual do Institute of International Finance em Bangkok, afirmou que os avanços na IA agora configuram um risco sistêmico para o sistema financeiro global. O Fundo Monetário Internacional havia advertido anteriormente que um ataque cibernético impulsionado por IA a um serviço crítico de uma instituição poderia minar a confiança no mercado.
O Cyprus Mail também trouxe que, embora o momento em que a computação quântica consiga quebrar padrões de criptografia atuais seja incerto, Breeden considerou que não há razão para atrasar as preparações, defendendo a necessidade de engajar a indústria para definir um plano coordenado.
Por fim, o artigo do Cyprus Mail lembrou que o G7 já definiu um roteiro para ação conjunta, mas a questão central permanece se o setor será ágil o suficiente para agir antes que o "relógio quântico" esgote o tempo disponível.


