O Banco Central Europeu alertou que o entusiasmo do mercado com inteligência artificial pode estar inflacionando avaliações de ações e aumentando risco de correção nas bolsas dos EUA, com impacto também para a zona do euro.
Avaliações dos EUA próximas do pico histórico
Segundo o blog do BCE, as avaliações do mercado acionário dos EUA estão atualmente perto do pico histórico, nível anteriormente observado apenas em períodos de extrema especulação. Para o BC da zona do euro, os preços refletem a aposta de investidores de que a IA vai moldar a economia e ampliar lucros, mas o nível de otimismo levanta dúvidas sobre se o movimento é considerado racional de uma tecnologia transformadora ou uma repetição da bolha das pontocom, vista no começo dos anos 2000. Com base em pesquisas sobre revoluções tecnológicas passadas, o BCE afirma que uma correção nas avaliações atuais é considerada provável. A pesquisa do banco sobre revoluções tecnológicas anteriores indica que correções são um padrão esperado quando o otimismo supera fundamentos sustentáveis.
Setor de tecnologia europeu é menor e mais barato
O texto afirma que o setor de tecnologia da zona do euro é menor e menos caro do que o americano, o que limita a chance de um colapso doméstico. No entanto, isso oferece pouca tranquilidade, pois famílias, seguradoras e fundos de pensão europeus têm exposição significativa via fundos e trackers globais, o que conecta o destino europeu ao desempenho das bolsas americanas.

Risco se transmite do EUA para a Europa
O BCE observa que o estresse nas ações dos EUA historicamente se transmite às bolsas europeias e pode afetar também o sentimento econômico, as condições de financiamento e a contratação de pessoal. O BCE pontua que um impacto da IA nos EUA não permaneceria apenas um problema dos EUA, destacando a interconexão dos mercados globais. O banco ressalta que a exposição europeia a fundos e trackers globais significa que turbulências americanas têm efeito direto sobre a economia real, impactando desde o consumo até os planos de carreira de profissionais na zona do euro.
Implicações para gestão de risco
Para gestores no Brasil, o alerta do BCE reforça a importância de monitorar a exposição a ativos americanos em portfólios internacionais e avaliar estratégias de proteção contra correções súbitas, dada a interconexão dos mercados globais e a presença de fundos estrangeiros em aplicações nacionais.


