Na Austrália, a ARIA determina que apenas músicas “substantamente humanas” podem entrar nos charts a partir desta sexta-feira.
Novas regras da ARIA
A Australian Recording Industry Association estabelece que faixas inteiramente produzidas por IA não são elegíveis para os rankings. Músicas que empregam IA apenas em tarefas de apoio - masterização, máquinas de bateria, auto-tune - permanecem aptas. Os artistas devem declarar o uso de IA ao submeter a faixa; a ARIA pode rever a posição caso descubra que a criação foi majoritariamente gerada por máquina. A entidade afirma que os charts excluirão obras que utilizem IA para gerar a totalidade ou a parte principal dos elementos criativos.
Polêmica do cover de Madonna
A regra surgiu depois do cover de “Like a Prayer” de Madonna, feito pelo DJ australiano Josh Fawaz, que liderou o chart de singles dance da ARIA e chegou ao segundo lugar no ranking geral. A faixa somou mais de 48 milhões de reproduções no Spotify. Após críticas, Fawaz acrescentou créditos de IA gerativa à música. A ARIA disse que os artistas australianos disputam espaço “no mercado mais lotado da história” e que não tem interesse em promover ou celebrar o sucesso de obras totalmente criadas por IA sem arte humana.
Onde a cobertura diverge
Outras coberturas destacam o aspecto político da decisão. O primeiro‑ministro Anthony Albanese anunciou “a mais forte possível proteção” contra IA para criadores, defendendo que os autores controlem como suas obras são usadas no treinamento de algoritmos. O grupo Peking Duc apoiou a medida; o músico Adam Hyde alerta que a IA “tira a experiência humana da vida”. Alguns relatos citam um precedente na Suécia, onde a música totalmente gerada por IA já foi banida dos charts, e mencionam trabalhos da IFPI em busca de diretrizes globais.


