Na Austrália, onde as raposas-vermelhas já ocupam cerca de 80% do território e são acusadas de matar mais de 300 milhões de animais nativos por ano, pesquisadores estão testando armadilhas equipadas com inteligência artificial para coibir o crescimento da espécie sem prejudicar a fauna local.
Onde a IA entra no combate às raposas
A ideia central é simples: evitar que o veneno chegue a tudo, ou quase tudo. Uma estação de isca chamada de sentinel, conforme apurou a WAtoday, utiliza IA para diferenciar raposas de outros animais e liberar o veneno apenas para o alvo. O Brisbane Times complementa ao informar que câmeras de reconhecimento de imagem e sensores térmicos ajudam a identificar a espécie antes mesmo de disparar.
Mais do que isso, tecnologias como Bluetooth, conexões móveis e satelitais permitem que os rangers monitorem os equipamentos à distância. A WAtoday destaca também que esse sistema pode impedir que os dispositivos atiem em cães domésticos marcados, tornando o uso da armadilha mais seguro.
Nas áreas temperadas, a densidade de raposas chega a 16 por quilômetro quadrado. Elas se espalham desde o centro do Queensland, passando por Nova Gales do Sul, Vitória e Austrália do Sul, e já estão em expansão na Austrália Ocidental.
O plano nacional também analisa aprimoramentos em armadilhas de tosa. Conforme o Brisbane Times, essas armadilhas usam reconhecimento de imagem para identificar o animal antes de liberar a dose de veneno. A ideia é reduzir danos colaterais e aumentar a precisão.
Testes, expectativas e os próximos passos
Um protótipo da estação de isca sentinela foi levado ao campo. O Brisbane Times apurou que o teste teve resultados promissores, mas nenhuma raposa foi encontrada durante o experimento. Isso significa que os testes continuam, e a tecnologia ainda não está pronta para uso em larga escala.
Estimativas oficiais colocam a população de raposas na Austrália em torno de 1,7 milhão, segundo a WAtoday. O número varia conforme a chuva, alimento e outras condições ambientais.
A destruição causada pela espécie é grande. O Brisbane Times informa que a raposa europeia vermelha mata cerca de 367 milhões de mamíferos por ano, incluindo 108 milhões de nativos. Foram 111 milhões de aves e 88 milhões de répteis também afetados.

A WAtoday acresenta que as raposas contribuíram para a extinção de pelo menos 20 espécies de mamíferos nativos. Do total de 21 marsupiais e roedores extintos no país, a raposa esteve envolvida em todos menos duas.
Mesmo após os esforços de controle, as raposas retornam rápido. A WAtoday informa que indivíduos podem se deslocar até 300 quilômetros após o fim das ações.
Mais de 40 refúgios cercados foram criados para proteger cerca de 850 km² de habitats. Esses locais protegem os animais contra raposas e gatos selvagens.
Programas convencionais já ajudaram a reverter o declínio de espécies como o boodie, o woylie, o wallaby de unha presa bridled e a tartaruga de pântano do oeste.
O novo plano do governo prevê usar veneno, armadilhas, tiro e cerca de exclusão. A combinação dessas estratégias busca reduzir o impacto das raposas de forma mais eficaz.
O gerente de rewilding do Invasive Species Council, Rob Brewster, afirma que a iniciativa é uma chance de alinhar o controle das raposas com a ciência da conservação. Mas ele ressalta que o plano precisa ser ambicioso e contar com financiamento para ações reais no terreno.


