Chris Olah, co‑fundador da Anthropic, quase sacou a empresa da cerimônia de lançamento da encíclica Magnifica Humanitas, em 25 de maio, após ler uma versão preliminar que rejeitava a consciência de máquinas. Na semana anterior, com tensão, ele e a equipe passaram a pressionar assessores do Vaticano para que a questão fosse revisada. Ele participou da cerimônia, mas não sem antes dizer ao The New York Times que não sabia se os modelos são conscientes e que as perguntas são grandes demais para serem respondidas por uma só empresa.
Consultas sob NDA com religiosos e filósofos
Desde o outono de 2025, a Anthropic convidou teólogos, bioeticistas e líderes de diversas religiões — cristãos, judeus, hindus, mórmons, sikh e ortodoxos gregos — para seus escritórios sob acordos de confidencialidade. O foco: discutir, em detalhes, se o modelo Claude poderia ter alguma forma de consciência. O clima era de ouvidos atentos, mas sem certezas. A própria empresa não se comprometeu.
O texto que permaneceu inalterado
A encíclica afirma, sem rodeios, que as IAs não passam por experiências, não possuem corpo, não sentem alegria ou dor, não se relacionam para amadurecer e não entendem, de dentro, o que é amor, trabalho, amizade ou responsabilidade. Além disso, não têm consciência moral. A posição do Vaticano não mudou, apesar do lobby. O texto foi apresentado como previsto.
Divergências sobre o que foi discutido
Olah disse à imprensa que as perguntas são demasiado grandes para serem respondidas pela empresa sozinha. Ele citou especialistas como o rabino Mois Navon, que alertou: uma IA consciente pode significar uma nova forma de escravidão. A Anthropic também destacou nomes como Charles Camosy, Brian Patrick Green e Swami Sarvapriyananda, todos envolvidos nas conversas. Nenhum defendeu abertamente a consciência da IA, mas todos reconheceram a complexidade do tema.
- Olah quase retirou a Anthropic da encíclica em 25 de maio.
- A empresa lobbyou o Vaticano para incluir a possibilidade de consciência na IA.
- O texto final da encíclica manteve sua posição original.
- Conversas ocorreram sob NDA com religiosos e filósofos desde o outono de 2025.


