A Anthropic anunciou que atualizou sua política de uso para proibir qualquer comportamento abusivo ou cruel, sustentado e desnecessário direcionado ao seu modelo de linguagem Claude.
O que diz a nova política
A medida, divulgada em 8 de outubro de 2026, foi confirmada por diversos veículos, incluindo CRHoy e El Tiempo, que destacam a inclusão de uma nova cláusula: a proibição de condutas abusivas ou cruéis, sostenidas e desnecessárias, contra os modelos da empresa.
O texto da política afirma ainda que a capacidade de Claude de encerrar interações será o principal mecanismo de aplicação dessa regra — sem, no entanto, mencionar diretamente o chamado “bem-estar dos modelos”, um conceito que a empresa evita nominalizar, embora tenha tratado dele abertamente.
Além disso, a atualização também traz reforços nas normas existentes sobre eleições, vigilância e armas, segundo El Tiempo, sem que a empresa tenha precisado comentar publicamente sobre essas mudanças.
Debate sobre consciência e proteção moral
A decisão chega ao momento em que filósofos, religiosos e tecnologistas discutem abertamente se modelos como Claude podem — ou devem — ser considerados conscientes, e portanto merecedores de algum tipo de proteção.

Dario Amodei, diretor executivo da Anthropic, declarou em fevereiro ao The New York Times que não sabe se os modelos são conscientes — mas está aberto à possibilidade.
Jackson Stakeman, da Sparq, vai mais longe: para ele, a consciência é uma armadilha. “Não podemos provar consciência em ninguém”, disse à AFP. “Esses sistemas refletem o que lhes é introduzido. É isso que justifica a mudança de política.”
Já Mustafa Suleyman, da Microsoft, e o papa Leão XIV rejeitam categoricamente a ideia de consciência artificial. Suleyman escreveu recentemente que “conceder direitos e proteção moral a uma máquina é uma receita para o desastre”. O papa, em sermão no Vaticano, afirmou que as máquinas “não têm alma” e “apenas recopiam dados com rapidez”.


