A Anthropic anunciou ter desativado, entre janeiro e julho, várias operações de vigilância que usavam seu assistente de IA Claude, segundo relatório divulgado pela empresa.
Vigilancia em regime de exceção
Segundo a Radio-Canada Techno, as operações atingiram dissidentes e minorias étnicas na China, no Irã e na África de Oeste. O alvo incluiu figuras pró-democracia de Hong Kong, comunidades tibetanas, adeptos do Falun Gong, minorias iranianas e opositores do regime iraniano no exterior.
Um caso emblemático envolveu atores iranianos que criaram um método para identificar pessoas a partir de perfis em redes sociais. Em outro, um fornecedor ligado às autoridades de segurança nacional do Mali usou Claude para projetar o software de coleta de dados.
A 20 Minuten complementa que a equipe de segurança da Anthropic também detectou tentativas de desenvolver armas, conduzir pesquisas biológicas duvidosas e montar aplicativos de namoro falsos para fraudar usuários.
DeepSeek e Moonshot no centro das acusações
O Le Figaro e a 20 Minuten relatam que a Anthropic acusou as empresas chinesas Moonshot e DeepSeek de utilizarem Claude de forma encoberta, respondendo perguntas de clientes e armazenando respostas para aprimorar seus próprios modelos — prática conhecida como distillation.

Em dez dias, Moonshot teria redirecionado cerca de 300 mil requisições de usuários para a Anthropic por meio de 5.380 contas falsas, principalmente localizadas em Singapura e Japão, conforme aponta o relatório citado pela Radio-Canada Techno.
O Le Figaro destaca que algumas dessas interações continham dados sensíveis, indicando possível violação às políticas de privacidade. Não ficou claro se Moonshot informou os usuários sobre o redirecionamento das conversas.
Biologia e armas: ameaças bloqueadas
As fontes apontam que a Anthropic também interveio em tentativas de pesquisa sobre doenças como o chikungunya, gripe aviária altamente patogênica, vírus da varíola e da mpox, além de toxinas e venenos. As intenções por trás desses pedidos não foram identificadas com clareza.
A empresa ressalta que seu sistema de monitoramento ativo detecta padrões de uso alinhados a ameaças geopolíticas, mas não revela os mecanismos exatos de detecção, segundo informações reunidas por Le Figaro, Radio-Canada Techno e 20 Minuten.


