Anthropic divulgou relatório no qual afirma que atores maliciosos utilizaram seu modelo Claude para vigilância patrocinada por Estado, operações de propaganda, drones kamikaze na Rússia e apoio à fabricação de misseis no Iêmen, segundo veículos da América Latina.
Vigilância estatal e espionagem
Um consultor tecnológico em Bamako, que trabalhava com o serviço de inteligência estatal do Malí (sob controle da junta militar), usou o Claude Code para criar o sistema “Lakana 360”. O programa monitora cerca de 25 milhões de tarjetas SIM da rede móvel do país, captura chamadas, mensagens e tráfego de voz e consegue identificar usuários mesmo quando trocam de SIM, usam VPN ou recorrem a cifragem. Segundo a Anthropic, o aplicativo não pôde ser desativado.
El Universo (Equador) e El Universal (México) reproduzem a mesma descrição do caso malinês, ressaltando que a Anthropic não teve sucesso ao tentar bloquear o acesso.
El Tiempo (Colômbia) aponta que a denúncia abrange o uso da IA em operações de vigilância, enquanto o Diario Libre (República Dominicana) associa o Claude à vigilância estatal sem confirmar se o sistema chegou a ser totalmente operacional.
Uso em armamentos e drones autônomos
Um pequeno grupo de desenvolvedores na Rússia utilizou o Claude para elaborar software que controla enxames de drones kamikaze. O código permite que os aparelhos selecionem seus próprios objetivos e se autodestrojam ao impacto, sem intervenção humana direta. Os desenvolvedores afirmaram ter recebido financiamento de programas de pesquisa militar russo, mas a Anthropic classificou a atividade como independente e não como operação oficial estatal.
No Iêmen, um grupo do norte do país empregou o Claude Code para auxiliar no projeto de software de foguete guiado, desenhar planos de misseis de longo alcance e contribuir para o desenvolvimento de um veículo de planeo hipersônico mais rápido. Eles realizaram um lançamento teste de foguete que, segundo a Anthropic, falhou; retornaram ao modelo para investigar a falha. A empresa afirma não haver evidências de que os misseis tenham se tornado funcionais, embora tenha confirmado a realização dos experimentos.
O Diario Libre (República Dominicana) também relaciona o Claude ao emprego de drones kamikaze na Rússia e à fabricação de misseis no Iêmen, ressaltando que não há confirmação de que tais armas estejam plenamente operacionais.
Propaganda em massa e operações de influência
Anthropic rastreou uma campanha de desinformação até a LKM Company, agência de publicidade francesa, que usou o Claude para gerar em massa artigos políticos para cerca de 70 sites de notícias falsas em quase 20 idiomas. O total de notas publicadas ultrapassa 8.913.
Cada site recebeu um jornalista fictício e uma conta falsa no Twitter/X, sustentada por centenas de perfis artificiais que postavam comentários com aparência humana. O conteúdo variava segundo o cliente, o que a Anthropic classificou como “propaganda como serviço”, com ênfase nos Estados Unidos, Brasil e França e atenção especial ao conflito entre a República Democrática do Congo e Ruanda.
O mesmo relatório cita ainda uma operação vinculada aos Emirados Árabes Unidos que tinha como alvo os Hermanos Muslimes, sem divulgar os resultados obtidos.
Informações ainda não divulgadas
O material original não identifica quais entidades específicas foram responsáveis pelos usos indevidos nem fornece detalhes técnicos sobre como o Claude foi integrado aos sistemas de drones ou misseis.
Também permanece obscuro quais medidas corretivas a Anthropic adotou além da divulgação do relatório.


