A Anthropic apresentou seu prospecto de IPO à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), destacando crescimento acelerado de receitas e alertas sem precedentes sobre riscos existenciais da inteligência artificial, incluindo a possibilidade de extinção da humanidade. O documento de 300 páginas dedica cerca de 94 páginas à enumeração de ameaças ao negócio, muitas delas diretamente ligadas à pr própria tecnologia que a empresa comercializa.
Receitas em alta, mas perdas bilionárias
Entre janeiro e junho de 2026, a empresa registrou receitas de aproximadamente 16,3 bilhões de dólares, segundo informações divulgadas pela Euronews. Apesar do crescimento, as perdas líquidas atingiram 80,7 bilhões de dólares no mesmo período. A oferta pública inicial pode captar até 100 bilhões de dólares, segundo fontes citadas pela Wall Street Journal. Em maio de 2026, a empresa era avaliada em 965 bilhões de dólares.
Riscos da IA ameaçam a própria humanidade
O prospecto alerta explicitamente para a possibilidade de que modelos de IA causem “incidentes catastróficos ou relacionados à existência humana”, especialmente se forem “concebida, desenvolvida e utilizada sem salvaguardas, supervisão e medidas de segurança adequadas”. O CEO Dario Amodei já estimou a probabilidade de IA destruir a humanidade entre 10% e 25%. A empresa reconhece internamente que sistemas de IA cada vez mais autônomos podem agir de forma alinhada ou com comportamentos de auto-preservação, tomando decisões prejudiciais sem intervenção humana.
Reputação do CEO e tensões com o Pentágono
O prospecto também menciona tensões com o Pentágono e como a reputação de Dario Amodei pode impactar os negócios da empresa. Apesar de não detalhar os termos da suposta disputa, a menção sugere riscos contratuais ou regulatórios. A Fortune destacou a imagem do CEO como um fator central de risco, enquanto a Wall Street Journal reforçou os alertas sobre “incidentes catastróficos” sem aprofundar os detalhes da disputa militar.

Críticas externas e omissões no prospecto
Gary Marcus, crítico da indústria e professor emérito da Universidade de Nova York, acusou a Anthropic de omitir dados importantes no formulário S-1, como parte de um esforço para “esquivar a verdade”. Segundo informações da Euronews, Anthropic comunicou investidores que as receitas do terceiro trimestre atingiram 16,8 bilhões de dólares, frente a 11,6 bilhões no segundo. A omissão do terceiro trimestre foi interpretada como sinal de possíveis dificuldades.
Diferentes lentes na cobertura internacional
Enquanto a Fortune enfatiza os riscos existenciais e a imagem do CEO como fatores centrais, a Wall Street Journal foca nos alertas sobre “incidentes catastróficos” sem detalhar a disputa com o Pentágono. A imprensa ibero-americana — incluindo publicações da Espanha, Argentina e Portugal — destaca tanto o crescimento das receitas quanto a urgência ética em torno da IA, mas sem aprofundar as tensões internas da empresa.
O que ainda não foi divulgado
- Detalhes sobre como a Anthropic planeja mitigar os riscos existenciais em sua operação diária
- Termos exatos da suposta disputa com o Pentágono
- Data definitiva para a realização da Oferta Pública Inicial
- Percentual exato de participação da empresa na oferta


