Anthropic acusou a Moonshot de redirecionar quase 300 mil consultas de usuários para o modelo Claude, usando as respostas para treinar sua própria inteligência artificial.
Como o esquema funcionou
Segundo o InvestNews, a Moonshot criou 5.380 contas fraudulentas, a maioria vinculada a Singapura e ao Japão.
Com essas contas, enviou quase 300 mil pedidos ao Claude Opus em dez dias, sem avisar os usuários.
As conversas foram salvas; delas foram extraídas cadeias de raciocínio que serviram para treinar os modelos próprios da Moonshot.
O método caracteriza‑se como destilação, onde saídas de um modelo mais forte refinam um mais fraco.
Posições de Moonshot, DeepSeek, Xiaomi e do governo chinês
O InvestNews e a Yahoo Finanzas relatam que representantes da Moonshot, da DeepSeek e da Xiaomi Corp. não responderam aos pedidos de comentário fora do horário comercial.
A Yahoo Finanzas acrescenta que a Moonshot declinou comentar e que as demais empresas também permaneceram em silêncio.

Segundo o InvestNews e a Yahoo Finanzas, o Ministério do Comércio da China afirmou que não há base factual ou legal para as acusações de destilação em escala industrial de modelos norte‑americanos por empresas chinesas de IA e advertiu que tomará contramedidas caso os EUA adotem medidas de contenção.
Onde a cobertura diverge
A Meduza destaca o suposto envolvimento da DeepSeek nas mesmas táticas e o uso de milhares de contas falsas em Singapura e no Japão.
O InvestNews dá ênfase à posição do Ministério do Comércio chinês e levanta a hipótese de participação da Xiaomi Corp. em práticas semelhantes.
A Yahoo Finanzas concentra‑se nas repercussões para uma possível oferta pública de ações da Anthropic, lembra que a própria Anthropic já aplicou destilação em seus próprios models (segundo Jacob Klein, diretor de pesquisa de ameaças da empresa) e levanta questões de privacidade caso o procedimento seja replicado por concorrentes.


