O Alibaba Group anunciou o chip Zhenwu V900, que segundo a empresa entrega três vezes o desempenho do predecessor Zhenwu M890, e revelou que pretende treinar um modelo de linguagem com entre cinco e dez trilhões de parâmetros.
Detalhes do chip Zhenwu V900
Na conferência anual em Hangzhou, Eddie Wu disse que o Zhenwu V900 é atualmente o chip de IA mais potente da China.
Ele pode fazer três vezes mais cálculos que o M890.
O chip já está sendo usado nos data centers da Alibaba para treinar e executar modelos de fronteira, atendendo tanto a própria empresa quanto clientes de nuvem.
Segundo o mesmo veículo, tais chips são fundamentais na fase de inferência, quando o modelo devolve respostas aos usuários.
Planos para modelo de IA e expansão de infraestrutura
O Valor Econômico informa que a Alibaba pretende treinar um novo modelo de IA na faixa de cinco a dez trilhões de parâmetros.
Para referência, o modelo mais avançado da série Qwen, o Qwen3.8‑Max, tem 2,4 trilhões de parâmetros.
A empresa chinesa Moonshot afirma que seu Kimi K3, lançado em julho, chega a 2,8 trilhões e é considerado o maior modelo aberto do mundo.
O mesmo veículo destaca que modelos de código aberto chineses costumam ser mais acessíveis que os fechados dos principais laboratórios americanos e já ganham espaço fora da China, inclusive nos EUA.
Segundo o BusinessLIVE, a companhia vai expandir os data centers que sustentam sua nuvem, citando demanda exponencial por computação de IA, e espera alcançar mais de 20 gigawatts de capacidade até 2032.
Para comparação, o BusinessLIVE menciona que a SpaceX tinha cerca de 1,4 gigawatt de capacidade de computação para IA em meados de 2026 e pretende chegar a mais de 10 gigawatts até 2027.

Eddie Wu afirmou que a Alibaba está mobilizando cada recurso disponível, mas ressaltou que gargalos globais na cadeia de suprimentos de data centers para IA estão limitando a velocidade dessa expansão.
Contexto geopolítico e comparativos
O anúncio ocorreu poucos dias antes de um encontro entre líderes chineses e estadunidenses, onde IA, comércio e tarifas devem ser temas centrais.
Executivos de IA dos EUA, incluindo o CEO da Anthropic, Dario Amodei, têm alertado que o avanço chinês na área representa risco para os Estados Unidos.
Segundo o Valor Econômico, analistas acreditam que os recentes progressos chineses em IA dão a Pequim maior poder de negociação nas conversas com Washington, já que o país intensifica sua política de autossuficiência apesar das restrições norte‑americanas que impedem o acesso a chips e equipamentos de fabricação de ponta.
O mesmo veículo observa que a Huawei também revelou recentemente novas tecnologias de chip enquanto tenta desafiar líderes globais como a Nvidia.
Acrescenta que, embora o treinamento de modelos de fronteira na China ainda dependa frequentemente de chips Nvidia, os projetos nacionais estão ganhando espaço.
O que ainda não foi divulgado
As fontes não revelaram o consumo energético do Zhenwu V900.
Também não foi informada a data prevista para iniciar o treinamento do modelo de cinco a dez trilhões de parâmetros.


