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Academia Goncourt exclui Thélyson Orélien por suspeita de uso de IA e plagio

Academia Goncourt exclui o romance 'C’était ça ou morrer' de Thélyson Orélien após acusações de uso de IA e plágio; decisão afeta lista do prêmio.

25 de set., 22:41 atualizada 26 de set., 10:01 · v2 11 fontes · 5 países Regulação
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Cerimônia do prêmio Goncourt com jurados e escritores Foto: Josiah Matthew / Pexels

Na sexta‑feira, 25 de setembro de 2026, a Academia Goncourt anunciou a retirada da novela “C’était ça ou mourir”, do escritor canadense‑haitiano Thélyson Orélien, da lista de candidatos ao prêmio após acusações de uso de inteligência artificial e de plágio de textos antigos.

Acusações e respostas

Uma conta anônima no X acusou Orélien de ter escrito quase todo o romance com inteligência artificial.

Essa conta foi identificada como o ensaísta francês Samuel Fitoussi, colaborador do Figaro, que descreveu o caso como um projeto coletivo e alertou que a IA pode apagar séculos de cultura escrita.

Dois dias depois surgiram denúncias de plágio ligadas a textos que o autor publicou no Canadá há mais de uma década.

A La Nouvelle Tribune afirmou que o uso de IA foi verificado pelo software Pangram e que o romance já havia conquistado o Prêmio du Roman Fnac 2026 antes da polêmica.

Segundo a Yahoo Finanzas, a Academia justificou a medida com base em análises convergentes de pesquisadores e jornalistas confiáveis que indicam que a obra é, em grande parte, produto de IA.

Orélien, de 38 anos, nega ter utilizado IA e diz estar elaborando, com seus editores, um documento que comprove seu processo de escrita; ele estava em França para promover o livro após aparecer no festival literário de Manosque em 24 de setembro de 2026.

A editora francesa Grasset manifestou apoio ao autor, enquanto a canadense Boréal suspendeu todas as atividades promocionais do título no Canadá.

Posicionamento da Academia e das editoras

O presidente da Academia, Philippe Claudel, havia previamente pedido cautela, aguardando explicações do escritor e de seus editores.

A Academia afirma que as análises apontam para uma parte substancial da obra tendo sido gerada por inteligência artificial e que pretende se opor ao uso dessa tecnologia nas obras concorrentes ao prêmio.

Grasset reforçou seu apoio ao escritor; Boréal confirmou a interrupção da divulgação do romance no mercado canadense.

Próximos passos do prêmio Goncourt

A lista inicial tinha dezesseis títulos; após a exclusão, a segunda seleção será reduzida a oito obras e anunciada em 6 de outubro de 2026.

Os quatro finalistas serão escolhidos depois dessa data e o vencedor será revelado em Paris em 3 de novembro de 2026.

Apesar de o prêmio distribuir apenas dez euros ao laureado, ele continua com grande impacto editorial, tendo sido concedido a autores como Marcel Proust, Simone de Beauvoir, Marguerite Duras, Amin Maalouf e Pierre Lemaitre.

Apurado em 11 fontes

La Nouvelle Tribune (Benim) · Metrópoles (Brasil) · Observador (Portugal)

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