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Hank Green pede desculpas por depender do ChatGPT

1 veículos 1 países 1 fonte lida análise OCTOPUS: AI NEWS

Microfone e câmera sobre tripé em um estúdio caseiro vazio
Foto: Pavel Danilyuk / Pexels

Hank Green publicou no Reddit em 31 de julho uma resposta em que admite ter passado a depender demais de modelos de linguagem na pesquisa dos próprios vídeos, e anuncia corte de produção por causa disso. O Hankschannel, conta pessoal com mais de 3 milhões de inscritos, pode pausar, voltar com apoio extra de escrita e pesquisa, ou passar a publicar bem menos. Os dois jogos diários de palavras que ele produz, SMUSH e 4x3, param. A Complexly, organização de mídia educacional que Green fundou com o irmão John Green, confirmou em 1º de agosto que houve uso de ChatGPT na pesquisa preliminar do episódio que gerou a suspeita, e negou uso do modelo para escrever ou checar o conteúdo. A política interna da casa permitia exatamente esse uso.

A frase que disparou a suspeita

A origem é um episódio de 55 minutos de Ask Hank Anything, série da Complexly, com participação do criador de TikTok Soupytime. Num trecho gravado em separado da conversa, Green usou a expressão "agradeço o contraponto" antes de dizer que palavra é uma invenção humana.

Chatbots respondem a correções com esse tipo de frase. Como Green aparecia sozinho naquele trecho, parte da audiência concluiu que ele tinha lido em voz alta um texto saído do ChatGPT.

Green respondeu num post no X que depois apagou. Disse que produziu o episódio sob pressão pesada, que usou ChatGPT para pesquisar o roteiro, e que nem as notas nem o roteiro traziam a frase contestada. Segundo ele, foi improviso, e a referência era uma discordância com Soupytime ocorrida antes no mesmo episódio.

No mesmo post apagado, Green concedeu o ponto de fundo. Escreveu que vinha se apoiando demais em notas geradas por modelo, e chamou o hábito de ruim num momento em que assumiu compromissos além da conta.

A política de IA existia, foi cumprida, e a crise veio igual

A Complexly divulgou nota em 1º de agosto. A organização confirmou o uso de ChatGPT na pesquisa preliminar e negou que o modelo tenha escrito ou checado o segmento. A nota descreve o uso como pouco frequente, tanto da parte de Green quanto nas produções da casa.

A política de IA que já vigorava na Complexly autoriza uso limitado de IA em pesquisa preliminar e proíbe IA de escrever, editar ou checar vídeo. Pela regra escrita, ninguém violou nada.

O que abriu a crise foi estilístico. Uma expressão com cara de chatbot, num criador que passou quase duas décadas construindo audiência sobre a promessa de que a explicação é dele.

O que Green diz que fazia com o modelo

Green afirma ter usado chatbots para localizar artigos acadêmicos e outras fontes, e não para gerar roteiro ou opinião. Escreveu que as posições continuam vindo do que ele lê, sabe e aprende.

O custo que ele descreve é de método. Achar fonte mais rápido tirou dele a chance de encontrar os próprios caminhos de entrada e de contorno num assunto, mesmo nas vezes em que o chatbot apontou artigos cuja existência ele desconhecia. Green ajudou a construir SciShow e CrashCourse, canais que vivem de tornar assunto difícil acessível.

Ele também descreveu o mecanismo pelo lado da dopamina. A interação com os modelos alimentava um ciclo de produzir cada vez mais, e ele classificou o ciclo como ruim para ele e para o mundo. A mulher, Katherine, e o irmão John levantaram a mesma preocupação, sem suavizar.

Green não rejeitou IA. Descreveu-se como alguém que não odeia a tecnologia e disse que cabe discordância razoável sobre usá-la ou não. Manteve as próprias ressalvas quanto ao treinamento dos modelos, ao impacto climático e à velocidade com que as empresas de IA concentram poder econômico.

Os cortes na produção

O Hankschannel entra em ritmo menor, com três desfechos na mesa: pausa temporária, retomada com apoio adicional de escrita e pesquisa, ou publicação bem mais rara.

SMUSH e 4x3, os dois jogos diários de palavras que Green produz, param. Existe um estoque de rodadas de 4x3, e ele disse que deixa o jogo parar de atualizar quando o estoque acabar, em vez de se pressionar a fabricar mais.

O tempo liberado vai para vídeo em que a escrita é o trabalho inteiro. Green admite manter algum vídeo sem roteiro, gravado direto para a câmera, em cadência menor.

A crítica que veio do público

Parte dos comentários no Reddit deu margem a ele, com o argumento de que Green pode desacelerar e de que a maioria dos espectadores preferiria menos vídeos a mais IA.

A crítica dominante foi de outra ordem, e mira o fato de a Complexly já trabalhar com pesquisadores humanos. Um comentarista escreveu que, se a pressão por um vídeo é grande demais para caber um pesquisador humano, o vídeo é dispensável. Outro comparou o ganho de IA a empurrar comida pelo prato: impressão de produtividade, sem trabalho a mais concluído.

Quem abriu a discussão no Reddit pediu desculpa pela possibilidade de ter alimentado um linchamento. Green respondeu que entendeu e que via a crítica vindo de lugar honesto.

O que o caso mostra para quem produz conteúdo com IA

Duas camadas se separam aqui. O fato: a Complexly checou e sustenta que o roteiro não saiu do ChatGPT. A percepção: a audiência auditou por estilo, e uma expressão bastou. Política escrita cobre a primeira camada. A segunda ficou descoberta, e o desgaste veio com a regra sendo cumprida.

Há uma terceira variável, que é o volume. A ferramenta subiu o teto de produção de Green, ele produziu até o teto novo, e a correção que escolheu foi cortar produto.

O material apurado não traz número de produção antes e depois, nem qualquer medição da Complexly sobre quanto a pesquisa assistida por modelo acelerou o trabalho. Sem esse dado, não dá para dizer se o ganho pagava o preço.

--- Apurado em 1 veículo, nos Estados Unidos: Mashable.