Fórum nas Filipinas leva a economia de IA ao interior
Mais de mil delegados, palestrantes, expositores e voluntários participaram do TRAIN 2026: AI & Innovation Networking Week, de 20 a 24 de julho de 2026, no SMX Convention Center de Bacolod City, nas Filipinas. O objetivo declarado do evento era tirar a discussão sobre economia de IA de Metro Manila e dos grandes centros urbanos e levá-la para o interior do país.
Jocelle Batapa-Sigue, ex-subsecretária do Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação das Filipinas (DICT), convocou o TRAIN 2026 por meio da Philippine ICT Innovation Network. A pauta dos cinco dias cobriu infraestrutura digital, adoção corporativa, formação de startups, transformação da força de trabalho, educação, turismo, serviços financeiros, indústrias criativas e governança de IA.
| Etapa | Tema |
|---|---|
| Abertura | Conectividade, instituições, parcerias e sistemas de formação de talento |
| Terceiro dia | Planejamento econômico regional e modernização do governo local |
| Último dia | Desinformação, segurança de IA, ruptura no trabalho, confiança pública, governança de dados e preparo institucional |
| Sem dia informado | Educação, indústrias criativas, micro e pequena empresa, turismo, serviços financeiros, preparação para desastres e terceirização |
A pauta foi infraestrutura antes de modelo
A abertura tratou de conectividade, instituições, parcerias e sistemas de formação de talento, a camada que precisa existir antes de uma região adotar IA. Nitz Rimando, vice-presidente de vendas e operações da Ignite Telecoms, expôs o papel da infraestrutura de telecomunicações para ligar a Região da Ilha de Negros a serviços habilitados por IA.
Claire Tayco, presidente-executiva da CirroLytix Research Services, apresentou um método para medir a prontidão de instituições e regiões para IA. No último dia, Jane Agonace, diretora provincial do DICT em Negros Occidental, apresentou uma abordagem de prontidão apoiada em quatro pilares: competências, dados, inovação e governança.
Micro e pequena empresa entrou na conta
Lorna Bondoc, líder do programa conjunto International Trade Centre–Digital PINAS, tratou do uso de tecnologia por empresas agrícolas e negócios locais para melhorar operação, acesso a mercado e competitividade. Outras sessões cobriram gestão de equipe remota, consultoria financeira, engenharia de prompt, produtividade e atendimento ao cliente.
Governo local e planejamento econômico regional ocuparam o terceiro dia. A Converge Global Business discutiu a exigência de conectividade de empresas que operam em nuvem e o uso de sistemas de cidade inteligente em serviços públicos. Turismo, serviços financeiros e preparação para desastres tiveram sessões próprias.
A sessão que interessa a quem vende serviço
Joey Roi Bondoc, chefe de pesquisa da Colliers Philippines, tratou do efeito da IA sobre a indústria filipina de terceirização: mudança nas exigências de contratação, demanda por escritório e forma de entregar o serviço. O material apurado registra que ele abordou o tema, sem trazer a conclusão nem número algum. Nenhuma projeção de emprego, nenhum dado de receita.
Essa é a lacuna que mais pesa. Terceirização de processos é onde o efeito da IA aparece primeiro na contratação, e é o setor em que Brasil e Filipinas disputam o mesmo tipo de contrato internacional.
O dia de fechamento foi sobre risco
A programação final tratou de desinformação, segurança de IA, ruptura no trabalho, confiança pública, governança de dados e preparo institucional. Dominic Ligot, fundador da CirroLytix, defendeu mecanismos de governança que protejam o público sem travar quem desenvolve e implanta sistemas de IA.
Estudantes de ensino médio e superior competiram na DASIG.AI Pitching Competition. Os organizadores não exigiram código funcionando nem sistema pronto. Os jurados avaliaram as propostas por relevância do problema, inovação, uso de IA, consideração ética, sustentabilidade e impacto social ou econômico.
Batapa-Sigue resumiu a tese do evento em uma frase: "Conhecimento é a nova moeda". Ela associou isso à necessidade de preservar criatividade, liderança, empatia e comunicação enquanto as organizações adotam IA.
O paralelo brasileiro
Filipinas e Brasil concentram a economia digital em poucas capitais. Lá o nome é Metro Manila; aqui, o eixo Rio–São Paulo. A sequência que Bacolod colocou em pauta, conectividade e competência antes de adoção, é a ordem que um estado brasileiro fora do eixo teria de montar para disputar o mesmo tipo de investimento.
Os organizadores disseram que o desafio seguinte é converter cinco dias de discussão em programa de formação, apoio a startup, projeto em empresa, investimento, política pública e emprego digital em Bacolod e na Região da Ilha de Negros. O material apurado não traz prazo, orçamento nem meta para essa etapa.
--- Apurado em 1 veículo de 1 país.